29/07/2012

Lobinho



Nasci em uma cidade pequena, com poucos habitantes. Minha casa ficava ao lado da floresta - praticamente em meio à ela - e desde criança gostava de ouvir os sons que vinham dela. Minha mãe contou que eu adorava quando os lobos uivavam em noite de luar.
Tinha quinze anos e passava muito tempo em meio às árvores. Quando chegava da escola, ia fazer meu dever lá. Conhecia cada canto e cada animal da floresta. Em uma caminhada encontrei filhotinhos de lobo tão lindinhos e fofos- isso aumentado por minha fascinação por esses animais- que não resisti, peguei um deles no colo. Achei estranho ele ter um cordãozinho no pescoço que parecia feito a mão e estava gravado " Lian", pois ele era uma animal selvagem mas ele respondeu ao meu toque com o carinho de um cãozinho de estimação e acabei esquecendo. No entanto, a mãe dele não gostou da minha aproximação. A mamãe loba lançou-me um olhar furioso que me fez gelar. Larguei o filhotinho na mesma hora e me afastei. Eles desapareceram na floresta.
Para a minha alegria, a partir daquele dia o lobinho ia todos os dias me encontrar. Passávamos as tardes brincando. Eu lia pra ele, conversava como se ele pudesse me entender - e às vezes parecia entender mesmo. Corríamos pela floresta. Lian tornou-se meu melhor amigo. Ao longo dos anos eu o vi crescer e se tornar um lindo lobo de pêlo avermelhado.
Em mais uma tarde em que esperava ele chegar, ouvi uma voz deslumbrante sussurrar meu nome:
_ Luciana! Luci sou eu.
De trás de uma árvore surgiu um garoto lindo, alto, forte, com os olhos chocolate, os cabelos negros e a pele bronzeada. No começo não o reconheci, mas ao olha-lo de perto, vi em seu rosto a meiguice e ternura do meu amado lobinho. Ele se aproximou:
_ Luci, sou eu, o Lian.
_ Lian? Mas como...?
Não precisei nem terminar a frase. Ele me explicou tudo direitinho. Ele tinha dezessete anos - a minha idade - e morava do outro lado da floresta. Sua família era descendente de lobos, mas eles tinham a forma humana até completarem 17. Depois disso, eles não envelheciam mais e tomavam sua forma de lobo, que ainda era filhote e tinham que crescer como se tivessem acabado de nascer de novo. Foi aí que a mãe deles os levou até a floresta para ensiná-los a caçar, onde nos conhecemos.
_ Me apaixonei por você assim que te vi, mas não podia retomar minha forma humana até me tornar um lobo adulto, então tive que esperar pacientemente. Vinha para cá ficar perto de você. Adorava suas histórias, nossas brincadeiras e, apesar de não parecer, entendia tudo que você dizia.
_ Eu sei. Podia notar que você me ouvia e às vezes, parecia que estava sorrindo para mim.
_ E estava mesmo.
Estava encantada com ele, perdida em seu sorriso. Por impulso, pulei em seu pescoço, entregando-me em um abraço. Lian envolveu seus braços em minha cintura tirando-me do chão. Perdi a respiração, o tempo parou. Foi o momento mais mágico da minha vida! Antes de nos afastarmos ele sussurrou em meu ouvido:
_ Eu te amo Luci.
_ Também te amo Lian.
Agora não nos desgrudávamos um minuto. Íamos a todos os lugares juntos, até na escola. Meu pai não gostava muito de eu estar namorando e a mãe dele também não estava muito à vontade, mas com o tempo, nossas famílias se aproximaram e acabaram aceitando.  O tempo passava e nosso amor só aumentava. Era primavera e faltava um mês para eu fazer 18, quando, em um dia lindo de sol, Lian me pediu em casamento no mesmo lugar em que nos conhecemos. Aceitei sem hesitar.
Nos casamos no verão, em uma cerimônia simples com apenas nossos amigos e família. Construímos uma casa no lugar onde Lian havia crescido e estávamos muito felizes. Mas depois de um ano, comecei a me preocupar com o tempo. Ele não iria envelhecer mais e eu já estava com 19. Uma hora nosso para sempre acabaria. Ele dizia para eu não me preocupar, mas aquilo não saía da minha cabeça.
Ouvindo as lendas de seus antepassados, descobri que se ele tomasse sua forma animal em uma noite de lua cheia e me mordesse, eu seria transformada em um deles. Lian negou-se a fazer isso, mas depois de um pouco de insistência, começou a ceder.
_ Mas Luci, ser lobo não é fácil. Traz problemas e responsabilidades. Eu não posso...
_ Por favor, estou fazendo isso para ficar com você!
Ele aceitou. Iria me transformar na próxima lua cheia, em três dias. Estava nervosa, pensando em como minha vida seria. Ninguém notaria a diferença então não precisaria me afastar de papai e mamãe, mas mesmo assim estava ansiosa. Os dias passaram e a noite chegou.
A lua estava alta no céu, fomos até a floresta no lugar de sempre. Lian perguntou se eu tinha certeza, eu disse que sim e ele se transformou. Naquele momento vi toda nossa história passar como um filme. Ali estava meu lobinho me observando com aqueles olhos profundos e, em poucos minutos, eu estaria para sempre com ele. Lian se aproximou e eu sussurrei em seu ouvido:
_ Para sempre.
Ele assentiu, beijou meu pescoço e o mordeu.

Segredo





Porquê? Tinha que ser justo ele? Se pudéssemos mandar no coração, isso nunca teria acontecido. Ninguém vai aceitar isso, não poderia ter acontecido. É quase um crime, mas não posso negar que gosto muito dele, mesmo sabendo que ele sente o mesmo. Praticamente crescemos juntos, sempre que dava estávamos brincando, provocando um ao outro, e nos ajudando, em qualquer assunto.
Mas desde aquela viagem tudo mudou, no momento em que André se declarou, mas eu sabia que era um sentimento proibido. Por que ele tinha de fazer isso? Não percebia que estava alimentando um sentimento que não tem fundamento, não para a nossa situação pelo menos.
Estávamos caminhando pela beira da praia, quando André para na minha frente e diz que tem que confessar uma coisa, que não tem mais como esconder. Fiquei apavorada, e se ele tivesse feito algo realmente errado? Mas não era isso. “Não dá mais para esconder Cacau, quanto mais eu tento, mais eu me sinto assim. Estou apaixonado, ela é linda, tem os cabelos castanhos avermelhados, lindos olhos cor de chocolate, um sorriso lindo, que eu não resisto quando vejo.”
Não dava para acreditar, o André estava apaixonado, mas eu não sei por que, mas senti como se ele me descrevesse quando falava de sua amada. Pedi então para ele me dizer o nome dela, e se eu conhecia, sua resposta foi: “Por favor Cecilia, ainda não percebeu que me apaixonei por você?” Não sabia mais que fazer ou falar. Isso não poderia ter acontecido. André não poderia ter se apaixonado por mim. Por mais que eu sentisse o mesmo, não tinha coragem de falar, quando uma lágrima escorreu dos meus olhos, ele me olhou assustado, mas não falou nada.
Simplesmente sai correndo de onde estávamos, mas não sabia para onde tinha ido, só fui perceber que parei em frente a casa da nossa melhor amiga, o lado ruim de termos crescidos juntos, temos o mesmo grupo de amigos, contei tudo para Renata, que não sabia o que falar tanto quanto eu. Quando fui para casa em que estávamos hospedados, André estava no sofá, no momento em que me viu passar pelo batente da porta, veio correndo ao meu encontro, mas simplesmente disse que não estava para conversa. Na mesma noite mais tarde, o ouvi conversando com sua irmã, ele disse que não sabia o que faria a respeito, não entendeu a minha reação ao que ele falou.
No dia seguinte, tomei coragem e fui falar a ele que eu também sentia o mesmo, mas que não poderíamos ficar juntos, ele não entendeu de inicio, mas como é teimoso feito mula, disse que poderíamos ficar juntos, porém escondido, eu aceitei. Não deu muito tempo, nossos pais descobriram o que havia acontecido na praia. Meu pai me deu a maior bronca, por quê?
Pelo simples fato de eu e André sermos primos.

Evocar



“Evoke” quer dizer ‘ Criar o novo, especialmente por meio da imaginação, relembrar algo’.
O principal objetivo do nosso blog é fazer o leitor viajar, ou relembrar algo que aconteceu com ele. Expressar nossos sentimentos, que muitas vezes não revelamos para as pessoas, mas que colocamos em um conto.
Sentimentos que muitas vezes são desconhecidos por nós mesmas, e que em um momento totalmente inesperado se revela forte e intenso.