05/08/2012

Engano





Naquele momento, olhei para ele e vi todas as lembranças nos seus olhos. Todos os momentos felizes, as brigas, as quais sempre terminavam com um pote de brigadeiro e um filme na sala da minha casa. O dia em que me pediu em namoro, havíamos feito uma excursão com a escola para visitar o Jardim Botânico. Eduardo me levou no chafariz que tem no meio do Jardim, se declarou e me pediu em namoro.
Estava nas nuvens. Eu amava esse garoto desde a 5ª serie e agora, quando estávamos para terminar o ensino fundamental, ele se declara. Não consegui responder na hora. Estava embasbacada, feliz, não parecia real! Com tantas meninas no mundo, ele escolheu a mim. Quando vi que ele estava ficando cabisbaixo, achando que eu não aceitaria, pulei em seu pescoço e disse “sim” umas quinhentas vezes.
Agora estávamos terminando o ensino médio. Queríamos carreiras bem diferentes. Eu queria medicina e ele mecânica. Passamos no vestibular e  não sabia como faríamos para continuar nos vendo, pois as cidades eram distantes.
Faríamos quatro anos de namoro em uma semana, quando Eduardo chega em minha casa e pede para irmos caminhar em um parque, ali perto. No começo não entendi nada do que ele falava, pedi então que parasse de enrolar e me falasse o que queria, pois em todo o tempo em que estivemos juntos, fomos sinceros um com o outro. Fiquei desnorteada com o que Eduardo falou.
Terminar? Por que ele se apaixonou por uma colega da faculdade e não teria mais sentido ficarmos juntos, se ele não me amava mais. Entrei em desespero! Não sabia como agir, o que falar, ou se era verdade o que ele me dizia. Poderia ser um sonho, não poderia? Um sonho terrível, mas um sonho! Infelizmente não era, era real, e doía de mais saber que a pessoa que eu amava mais que qualquer outra, não me amava também.
“Sempre te amarei, não do mesmo jeito que você me ama, amarei como amigo, como ex-namorado. Não quero que fique triste ou brava comigo, mas não crie esperanças de que podemos voltar.” Essa frase terminou de despedaçar meu coração. Eduardo se ofereceu para voltar comigo para casa, mas recusei, precisava arejar a cabeça, digerir a informação de que não poderíamos mais ter a mesma relação que tínhamos, pois mesmo que continuássemos nos falando, não iria ser a mesma coisa.
Quando cheguei em casa, meus pais estavam preocupados, pois já fazia 3 horas que havíamos saído. No momento em que viram meu rosto encharcado de lágrimas, perguntaram o que havia acontecido. Apenas respondi que não queria falar sobre o assunto, subi e me tranquei no quarto.
Depois daquele dia, nunca mais falei com Eduardo, embora ele tenha ligado, mandado mensagem, recado nas redes sociais, pedido a meus pais para subir e falar comigo. Nada adiantou, estava em depressão, tranquei a faculdade. Mas como tudo um dia passa, seis meses depois estava bem, mas não pronta para outro relacionamento. Voltei para a faculdade.
Terminei o curso e estava trabalhando no hospital, quando  me chamam para uma emergência. Houve um acidente  feio, uma BMW M3  bateu de frente com uma Twister. O homem da moto, ficou gravemente ferido, bateu a cabeça forte quando caiu no chão. O dono da BMW não havia sofrido mais do que alguns arranhões. Quando vejo quem era o homem da moto, fico parada em meu lugar, sem reação por 5 segundos antes de entrar no modo profissional, que não se deixa levar pelos sentimentos.
No momento em que Eduardo viu meu rosto ele sussurrou “ Alice” e desmaiou. Mesmo tentando não me deixar levar pelas emoções, no momento em que ouvi meu nome sair de sua boca entrei em desespero, mas mesmo assim, agi como deveria. Fiz tudo o que poderia para salva-lo. Depois da cirurgia, fiquei no quarto dele, esperando-o acordar.
Quando abriu os olhos e me viu ali parada o olhando, iria falar algo. Coloquei dois dedos em sua boca o impedindo de falar. Não por que não queria ouvi-lo, mas por que ele não poderia se cansar. Ainda havia muito risco de ele morrer e por mais que não estivéssemos mais juntos, ainda o amava e desejava que tivesse a vida que queria, ao lado de quem amava.
Seus batimentos começaram a cair, e a ultima coisa que disse foi “ Eu te amo Alice, sempre amei, só não tinha percebido isso antes”.

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