Acordei no enorme quarto do meu namorado, em sua cama
confortável e ele sentado no chão olhando pela janela com uma expressão de dor.
Estava me sentindo fraca e não tinha muita noção da noite passada. Lembrava de
estar com Jimmy na sala quando ele começou a me beijar. Os beijos começaram a
ficar um pouco mais urgentes, a nossa respiração mais acelerada. O clima ficou
um pouco quente. Ele me pegou no colo e a gente subiu as escadas, rumo ao
quarto. Jimmy me jogou na cama e tirou a camisa, deixando seu corpo musculoso à
mostra. Começou a desabotoar a minha camisa enquanto continuava a me beijar.
Mais alguns amassos e parece que tudo apagou. Na minha cabeça, apenas algumas
cenas curtas - que por sinal eram ótimas -, mas não sabia o que realmente havia
acontecido.
Olhando-o agora, sentado no chão, com uma expressão de
culpa, nem parecia mais o garoto que arrancou a minha roupa na noite passada.
Ele ainda estava lindo e olhá-lo me fazia prender a respiração
involuntariamente, mas ele não estava bem e isso me preocupou. Estava perdido
em seus pensamentos dolorosos e não pareceu me notar sentada ao seu lado. Até o
momento em que levantou e começou a andar de um lado para o outro repetindo
diversas vezes:
_ Me perdoa Cassie. Perdi o controle, não sei o que eu
fiz...
Eu não entendi aquilo e tentei acalmá-lo, mas ele
estava inconsolável. Pegou meu rosto entre suas mãos e me fez olhar na direção
da cama. Os lençóis antigamente brancos estavam completamente sujos de sangue.
O terror tomou conta de mim. O que havia acontecido? Fui até o espelho e olhei
o meu pescoço onde sentia uma dor estranha. Uma mordida?! Aquele sangue todo
era meu! Tentei correr, mas Jimmy foi incrivelmente rápido, chegando à porta em
uma fração de segundo. Ele me segurou e pediu para que eu me acalmasse, iria me
contar tudo. Com alguma relutância acabei obedecendo e sentando para ouvi-lo já que não havia como sair
dali.
Jimmy era um vampiro. Eu até poderia achar que era uma
piada de mau gosto, mas depois do sangue, da mordida e de ver suas presas
expostas, não havia como duvidar. Eu estava trancada em um quarto com um
vampiro que eu achei ser o amor da minha vida e havia tomado meu sangue. Ok, eu
não conseguia odiá-lo por isso, eu ainda o amava, mas isso era muito confuso,
informação de mais para processar. Achei que estava ficando doida, ou na melhor
das hipóteses, sonhando.
Ele me explicou que eu estava em transição de humana
para vampira o que me deixou muito mais desesperada. O pior foi ele dizer que
isso não era nada perto de que ele quase não conseguiu parar de beber meu
sangue, o que teria me matado. Agora eu era uma vampira sanguinária? Era isso?
Enquanto ele
listava como seria minha vida dalí em diante eu tentava não surtar, ma so
pânico me tomava e aquela sensação de queimação na garganta não me permitia
raciocinar. De uma hora para outra tudo ao meu redor parecia tão intensificado,
cada simples coisa me irritava. Meus sentimentos estavam tão bagunçados! Eu só imaginava
quando poderia sentir o líquido quente e viscoso em minha boca. Minhas presas
começaram a sair e minhas gengivas doíam.
Mas manter a concentração era importante, pois eu
precisava saber como esconder minha nova
condição de vampira da minha família e amigos; Precisava saber como conseguir o
auto controle que Jimmy tinha. E o mais aterrorizante: Como caçar sem deixar
rastros.
Anoiteceu e era hora de caçar. Jimmy explicou tudo da
melhor forma que pôde e eu segui meus novos instintos extremamente aguçados.
Saímos pela noite à procura de minha primeira vítima. A essa altura já nem
lembrava de como tudo isso era irreal e estranho e como as coisas estavam indo
tão rápido; Apenas desliguei a mente e me entreguei a meu lado animal.
Em um beco, encontrei uma pessoa sozinha. Podia ver
sua artéria pulsando, ouvia os batimentos de seu coração e sentia seu cheiro
delicioso. Pulei na frente dele e fui direto em seu pescoço. Senti minhas
presas ficando maiores, o mordi e bebi todo seu sangue doce. A pesar de me sentir
culpada, me sentia muito saciada. Esse era o sabor da minha nova vida, essa era
a nova Cassie.
Ao longo dos séculos me tornei mais controlada, mas
não existe melhor sensação do que o sangue fresco descendo por minha garganta.
Quando lembro da menina doce que era antes de tudo isso, me sinto muito mal por
todos que já matei, mas quando a lembrança de minha primeira vítima, todo meu
lado humano vai embora. Não que goste de ser vampira e viver desse modo, mas eu
tenho aquilo que qualquer mortal sonha: A eternidade ao lado de quem amo.




