03/03/2013

Vida Nova




Acordei no enorme quarto do meu namorado, em sua cama confortável e ele sentado no chão olhando pela janela com uma expressão de dor. Estava me sentindo fraca e não tinha muita noção da noite passada. Lembrava de estar com Jimmy na sala quando ele começou a me beijar. Os beijos começaram a ficar um pouco mais urgentes, a nossa respiração mais acelerada. O clima ficou um pouco quente. Ele me pegou no colo e a gente subiu as escadas, rumo ao quarto. Jimmy me jogou na cama e tirou a camisa, deixando seu corpo musculoso à mostra. Começou a desabotoar a minha camisa enquanto continuava a me beijar. Mais alguns amassos e parece que tudo apagou. Na minha cabeça, apenas algumas cenas curtas - que por sinal eram ótimas -, mas não sabia o que realmente havia acontecido.
Olhando-o agora, sentado no chão, com uma expressão de culpa, nem parecia mais o garoto que arrancou a minha roupa na noite passada. Ele ainda estava lindo e olhá-lo me fazia prender a respiração involuntariamente, mas ele não estava bem e isso me preocupou. Estava perdido em seus pensamentos dolorosos e não pareceu me notar sentada ao seu lado. Até o momento em que levantou e começou a andar de um lado para o outro repetindo diversas vezes:
_ Me perdoa Cassie. Perdi o controle, não sei o que eu fiz...
Eu não entendi aquilo e tentei acalmá-lo, mas ele estava inconsolável. Pegou meu rosto entre suas mãos e me fez olhar na direção da cama. Os lençóis antigamente brancos estavam completamente sujos de sangue. O terror tomou conta de mim. O que havia acontecido? Fui até o espelho e olhei o meu pescoço onde sentia uma dor estranha. Uma mordida?! Aquele sangue todo era meu! Tentei correr, mas Jimmy foi incrivelmente rápido, chegando à porta em uma fração de segundo. Ele me segurou e pediu para que eu me acalmasse, iria me contar tudo. Com alguma relutância acabei obedecendo e sentando para ouvi-lo já que não havia como sair dali.
Jimmy era um vampiro. Eu até poderia achar que era uma piada de mau gosto, mas depois do sangue, da mordida e de ver suas presas expostas, não havia como duvidar. Eu estava trancada em um quarto com um vampiro que eu achei ser o amor da minha vida e havia tomado meu sangue. Ok, eu não conseguia odiá-lo por isso, eu ainda o amava, mas isso era muito confuso, informação de mais para processar. Achei que estava ficando doida, ou na melhor das hipóteses, sonhando.
Ele me explicou que eu estava em transição de humana para vampira o que me deixou muito mais desesperada. O pior foi ele dizer que isso não era nada perto de que ele quase não conseguiu parar de beber meu sangue, o que teria me matado. Agora eu era uma vampira sanguinária? Era isso?
 Enquanto ele listava como seria minha vida dalí em diante eu tentava não surtar, ma so pânico me tomava e aquela sensação de queimação na garganta não me permitia raciocinar. De uma hora para outra tudo ao meu redor parecia tão intensificado, cada simples coisa me irritava. Meus sentimentos estavam tão bagunçados! Eu só imaginava quando poderia sentir o líquido quente e viscoso em minha boca. Minhas presas começaram a sair e minhas gengivas doíam.
Mas manter a concentração era importante, pois eu precisava saber como esconder  minha nova condição de vampira da minha família e amigos; Precisava saber como conseguir o auto controle que Jimmy tinha. E o mais aterrorizante: Como caçar sem deixar rastros.
Anoiteceu e era hora de caçar. Jimmy explicou tudo da melhor forma que pôde e eu segui meus novos instintos extremamente aguçados. Saímos pela noite à procura de minha primeira vítima. A essa altura já nem lembrava de como tudo isso era irreal e estranho e como as coisas estavam indo tão rápido; Apenas desliguei a mente e me entreguei a meu lado animal.
Em um beco, encontrei uma pessoa sozinha. Podia ver sua artéria pulsando, ouvia os batimentos de seu coração e sentia seu cheiro delicioso. Pulei na frente dele e fui direto em seu pescoço. Senti minhas presas ficando maiores, o mordi e bebi todo seu sangue doce. A pesar de me sentir culpada, me sentia muito saciada. Esse era o sabor da minha nova vida, essa era a nova Cassie.
Ao longo dos séculos me tornei mais controlada, mas não existe melhor sensação do que o sangue fresco descendo por minha garganta. Quando lembro da menina doce que era antes de tudo isso, me sinto muito mal por todos que já matei, mas quando a lembrança de minha primeira vítima, todo meu lado humano vai embora. Não que goste de ser vampira e viver desse modo, mas eu tenho aquilo que qualquer mortal sonha: A eternidade ao lado de quem amo.

Best Thing I Never Had





É engraçado como as coisas acontecem de repente, em um dia nem nos falávamos, no outro, não conseguimos ficar sem falar um com o outro, e no dia seguinte, parecia que nunca tínhamos sido amigos. Agora, caminhando pela beira da praia, lembrei-me de como era bom  conversar com ele quase 24 horas por dia.
Teríamos que fazer um trabalho para a professora de inglês, tinha que ser no mínimo três pessoas no grupo, no momento, meu grupo só tinha dois componentes, eu e a  Ana, teríamos que achar outro componente, como ela é teimosa, e faz as coisas sem me consultar, colocou um menino que morava perto da casa dela no nosso grupo. Não falava muito com ele, mas já que a Ana o tinha convidado, quem era eu para desconvidar?
No momento em que começamos a conversar não paramos mais, é claro, quem fez o trabalho foi eu, pois eles não faziam nada. Acabei me apaixonando por ele. Por mais que ele me irritasse, não conseguia ficar brava com ele, por mais que doesse, aconselhava-o em relação as meninas que ele gostava, sempre engolia o choro, e colocava um sorriso no rosto.
Não sei o que me fez gostar tanto daquele menino, se era sua petulância, sua irresponsabilidade ou seu modo de sorrir, de me alegrar quando não estava bem, sua alegria era contagiante, não havia modo de quem estiver do lado dele, não estar feliz. Houve um momento em que Felipe não era mais  o mesmo, se distanciou, não só de mim, mas de todos, eu deixei, tinha minhas suspeitas do que aconteceu com ele.
Já tinha mais de dois anos que havia me mudado, ainda gostava dele, mas era um sentimento que estava enfraquecendo, a medida que via que não me adiantaria de nada ficar guardando um amor que ele  nunca saberia que existiu, e nunca saberá. É engraçado como quando conhecemos as pessoas e nos apaixonamos, achamos que será para sempre, e quebramos a cara, mas continuamos tentando ser feliz, e ter a pessoa que amamos, também nos amando.
E hoje, dou graças a Deus por não ter ficado com ele, pois sei que estou bem melhor agora,  estou morando no Rio de Janeiro, noiva, e feliz. Sei que onde quer que ele esteja, está c om a mesma vida que tinha, não amadureceu nada,  enquanto quem ele afastou progrediu e não se deixou abalar por muito tempo.  E sei também, que ele foi a melhor coisa que eu nunca tive, assim pude aprender que nem sempre devemos ficar com quem gostamos, e que vamos encontrar quem realmente nos mereça.

Recomeçando

Depois de muito tempo sem postar aqui, resolvemos que esse ano será de reinauguração para o Evoke- que talvez ganhe um novo nome. Até abri esperamos que ele esteja com uma cara nova e cheio de posts novos. Enquanto estamos planejando as mudanças e novidades iremos postar mais dois contos só para voltar à rotina. Esperamos que gostem. Beijos.

21/09/2012

Sentimentos





O verdadeiro amor. Alguns acreditam outros não. Algumas pessoas nunca o acham, mas outras têm a sorte de encontrar o que chamamos de alma gêmea. Foi o que aconteceu a eles. Realmente amas destinadas a se encontrarem. Nasceram na mesma família, primos. Eram amigos, nem sempre foram próximos, mas acabaram criando uma cumplicidade. Logo era uma amizade inseparável. Ela estava apaixonada, não por ele, mas o destino queria que eles se juntassem. A paixão pelo outro garoto começou a diminuir, o carinho pelo primo começou a transformar-se em algo mais profundo.
Após algumas conversas com sua melhor amiga a garota começou a desconfiar que seus sentimentos fossem mais fortes do que pareciam. Ele também começou a sentir-se diferente, com ela sempre no pensamento. As mensagens antes de amizade, agora eram de amor. Ela só falava nele e ele só pensava nela.
Finalmente se declararam. Ela tava toda boba, feliz por ele gostar dela do jeito que ela gostava dele. Desse dia e diante os dois eram só sorrisos. Conversavam o tempo todo, só queriam saber um do outro! Mas, tinham um pequeno problema: Contar ao pai dela.
Os dois nervosos, sem saber como contariam para a família. A amiga dela- que agora já era amiga dele também-, mais preocupada que os dois juntos, mas como conselheira psicóloga e pacificadora, tentava acalmar as coisas.
Foi bem mais fácil do que pensaram. O pai aceitou bem. A família compreendeu e agora nada mais impedia de ficarem juntos. Estavam mais felizes do que nunca!
Hora de encontrarem-se pessoalmente. Cada um estava mais ansioso que o outro, contando os minutos. No dia que ele pediu ela em namoro suas mãos tremiam. Os olhos dela brilhavam, seus corações estavam disparados. Ela disse sim sem hesitar.
Agora estão juntos, apaixonados, nada os separa. O amor deles cresce a cada dia, sua cumplicidade é criada pouco a pouco. Todos que olham em seus olhos podem ver que é verdadeiro. História parecida com a de Eduardo e Mônica.
Algumas pessoas -as que nunca conheceram o amor- podem pensar que, com tantas pessoas no mundo, por que justamente primos foram se apaixonar. Essas pessoas não entendem. O amor é uma palavra sem explicação, sem pontos nem vírgulas, sem abreviaturas. Não pode ser estudado ou entendido, apenas sentido e transmitido. Quando duas almas gêmeas como essas se encontram, nada pode deter ou terminar com o amor.

16/09/2012

Surreal




A cada dia me apaixonava mais, não havia espaço para tanto amor dentro do meu coração, a cada dia que passava ele me conquista mais e mais, por diversas noites fiquei em claro pensando em como seria bom estar nos seus braços.  Imaginava nós dois passeando de mãos dadas no parque, vendo um filme abraçados. Não tem jeito de tirar da cabeça, acordo e durmo pensando nele.
No momento em que descobri que  Mateus  também me amava, comecei a tremer, não sabia se ria ou chorava, mas tive que me controlar, não me contive e abri um sorriso enorme, e estava com os olhos brilhando. Minhas amigas me olharam e perguntaram se estava me sentindo bem, pois estava com os olhos cheios de lágrimas, mas não de tristeza, mas sim de pura e completa felicidade, é muito bom descobrir que quem você ama, sente o mesmo por você.
A felicidade era tanta que não havia espaço o suficiente dentro do meu coração, minhas amigas já não me aguentam mais, dizem que estou muito mais irritante que antes. Não cansava de dizer para  ­­­ Mateus o quanto o amo.  A cada olhar, cada abraço, me sentia muito mais feliz.
Se já estava feliz só em saber que ele me ama, imagina quando me pediu em namoro.. Foi tão lindo.  Estávamos  em  um jardim, muito lindo, quando Mateus olhou no fundo dos meus olhos, e disse que queria ficar comigo para o resto da vida, e perguntou se eu queria namorar com ele. Nesse momento sim, não me contive comecei a chorar, me abracei nele  e não queria soltar mais.
Não sabia como era possível, mas a cada dia estávamos mais apaixonados, nem parecia que já estamos juntos a mais de seis meses. Para comemorar o nosso aniversário de namoro, passamos o dia inteiro na praia. Já estava ficando tarde, o entardecer estava lindo, o céu completamente laranja, estava começando um vento gelado, Mateus me convidou para caminhar na beira da praia, enquanto caminhávamos, percebi que ele me abraçava forte, como se não quisesse me largar, com medo de me perder.
Paramos em um ponto na praia que não se via nenhuma pessoa então, Mateus me olhou e disse:
- Não acha que está silencioso de mais? Que tal gritar algo para todo o mundo ouvir??
De inicio achei meio maluca essa ideia dele, mas depois quando vi que falava sério, apenas olhei em seus olhos, acenei  com a cabeça, fui para a beirinha da água e gritei:
- EU TE AMO MATEUS
Voltei para onde ele estava, e disse que era a sua vez.  A única coisa que Mateus  fez, foi me abraçar forte, me dar um beijo sereno nos lábios e sussurrar no meu ouvido:
- Eu te amo, você se tornou meu mundo, virou meu maior sonho. Deixa eu pegar na sua mão, e olhar nos teus olhos, sabe, teu olhar ilumina muito mais que as estrelas, ele ilumina minha alma, aquece meu coração.
E como a boa derretida que sou, quando terminou de falar eu já estava chorando,  mas o que mais me surpreendeu, foi ele se afastar, se ajoelhar na minha frente, pegar uma caixinha de veludo vermelho do bolso da calça, e perguntar:
- Luisa,  casa comigo?
Em meio aos soluços, disse um simples “aceito” , e me perdi em seus braços, não sabia o que dizer ou falar, apenas me sentia completamente feliz, sabendo que o teria comigo para o resto da minha vida.

Sunshine




Vendo-a agora, dançando como se nada mais importasse, balançando seus longos cachos loiros, seu vestido esvoaçando, seus pés descalços, os olhos fechados, mas as lágrimas correndo em seu rosto e, apesar disso, com um sorriso inocente e sincero como de uma criança, lembrei da primeira vez que a vi.
Tinha 16 anos, era uma noite chuvosa e eu voltava da casa de um amigo. A estrada estava vazia, então não me preocupei quando fui dobrar em uma curva. Quase me acidentei tentando desviar de uma menina que andava pelo meio da estrada. Ela usava um vestido longo preto meio hippie, os cabelos pingando água. Buzinei pra que ela saísse da frente, mas ela não mexeu um milímetro, como se não me ouvisse. Parei o carro com a intenção de perguntar se ela era uma louca suicida, mas quando percebi que ela chorava desconsoladamente esqueci que estava bravo. Saí do carro, coloquei meu casaco em seus ombros e tentei fazê-la entrar no carro. Ela não se moveu então a peguei no colo e coloquei no banco ao meu lado. Quando nossos corpos se tocaram tive uma estranha sensação de que uma corrente elétrica me atravessou. Enquanto seguia na estrada perguntei o que havia acontecido, mas ela não respondeu. Perguntei seu nome e pela primeira vez ela me olhou e respondeu:
_Aimê.
Nunca vou esquecer seu sorriso triste ao dizer seu nome, como se aquilo lhe trouxesse lembranças que ela não queria mais ter.
Queria levá-la ao hospital, mas ela me garantiu que estava tudo bem, que não havia se machucado. Então quis saber onde era sua casa e lágrimas verteram novamente de seus olhos enquanto explicava onde morava. Deixei ela enfrente a uma casa antiga, mal cuidada pelo tempo, mas muito bonita e com um jardim perfeito. Aimê tentou devolver meu casaco, mas eu disse pra ela ficar com ele que eu voltaria no outro dia para saber como ela estava e pegaria o casaco. Ela assentiu e entrou na casa.
Durante todo meu caminho de volta não conseguia tirar Aimê da cabeça. Apesar de estar encharcada pela chuva estava linda. Tinha cabelos dourados caindo sobre os ombros e uma flor prendendo-o preta como o vestido. Seus olhos eram de um castanho surpreendente e sua pele era muito clara. Passei a noite acordado pensando em como ela estaria.
No outro dia, após a escola, voltei a casa dela para saber se estava tudo bem. Ela me recebeu na porta com um “você veio mesmo” e abriu um sorriso extremante doce que fez meu coração disparar. Sua casa era deslumbrante, apesar de não estar muito organizada parecia decorada com muito carinho e parecia muito iluminada. Era Cheia de fotos de uma família muito feliz, era toda colorida com quadros de bandas antigas, sinos de vento na janela e símbolos da paz por todo lado.
Aimê me agradeceu por ter levado ela até sua casa na outra noite e entregou-me o casaco. Quando perguntei o que havia acontecido, sua expressão se tornou fria, baixou os olhos, mas, ao contrário da outra noite, me contou tudo.
_Estava voltando do enterro dos meus pais. Eles foram assassinados por policiais enquanto protestavam no centro da cidade. Vários de seus amigos foram mortos também e ontem teve homenagem a todos eles. Agora eu moro aqui, sozinha, pois sou emancipada.
Fiquei sem ação quando ela começou a chorar desesperadamente, então apenas a abracei até que ela se acalmasse.
Nos tornamos melhores amigos, andávamos juntos o tempo todo, fazíamos tudo juntos. Ela me contou tudo sobre sua família. Seus pais se conheceram entre os anos 60 e 70, eram hippies e viviam em um acampamento. Se apaixonaram, casaram-se e após alguns anos tiveram ela. Colocaram seu nome de Aimê por que significa “amada”. Ela cresceu em meio aos ideais hippies e tornou-se uma também. Era uma família muito feliz, harmoniosa, seus pais eram seus ídolos. Até que naquele dia, um grupo de amigos foi protestar pela paz e acabaram mortos por policiais. O mundo de Aimê caiu, ela estava sozinha e, segundo ela, me conhecer foi um presente do universo, pois eu emanava uma “energia muito positiva” e ela se sentia bem ao meu lado.
Acabei me apaixonando por ela e a cuidava como se fosse minha vida. Passamos os últimos anos juntos e quando terminamos a escola decidimos nos casar.
Agora eu a vejo dançar na festa de nosso casamento- que foi em uma cerimônia hippie muito divertida- e consigo perceber sua felicidade ouvindo sua música favorita da Janis Joplin sacudindo a barra do seu vestido branco de rendas, com os pés na grama, as mãos em seus cabelos cheios de florzinha e sei que está absorvendo a “força da natureza” e sentindo a energia do momento. Seu sorriso inocente é por estar feliz e suas lágrimas são por estar lembrando de seus pais e de quando era pequena dançando junto com eles nesse mesmo gramado.
Percebo agora porque a amo mais do que tudo no mundo. Ela apareceu do nada, uma menina misteriosa, tão diferente em seu estilo de vida e mudou todo o curso da minha. Me completou, me fez entender o que é o amor em todos os seus sentidos, me trouxe a real felicidade. Ela é a razão de tudo, é como uma droga pra mim, meu raio de sol, um “presente do universo” feito a minha medida.


07/09/2012

Aposta



Querido Diário,
Faz tanto tempo que não lhe conto as novidades. Esse ultimo mês aconteceram muitas coisas que não sei nem por onde começar. Todos os dias acordo pensando “nele”, é incrível o modo como me sinto. Cada dia mais forte, mais feliz, como se pudesse derrubar o Mundo com um piscar de olhos.
Mas estou me sentindo assim, principalmente porque descobri que Klaus sente o mesmo. Eu estava em aula, estávamos conversando como sempre, quando ele me fala que não para de pensar em como seria nós juntos, disse que me ama mais que qualquer coisa no mundo.
Não sabia se ria ou chorava, tive que me conter, pois afinal, estávamos em aula. Fiquei muda, olhando para o seu rosto, a professora chamou minha atenção, não pude falar que sentia o mesmo, primeiro porque estava em aula, e segundo, pois tinha certeza de que minha voz não sairia mais alto  que um sussurro.
No intervalo arrastei minhas amigas comigo para o banheiro, elas me olhavam e perguntaram se  estava bem, se eu não passaria mal ou coisa do tipo. Passei uma água no rosto e sai a procura-lo pelo colégio. O encontrei perto do bebedouro, conversando com nossos amigos, perguntei se poderia falar com ele a sós.
Fomos para uma espécie de jardim que tem o pátio onde geralmente não tem ninguém. Olhei no fundo dos seus olhos por um tempo, então disse que o amava a muito tempo, mas que não tinha contado, por medo de estragar nossa amizade. Klaus simplesmente me deu um beijo singelo nos lábios e me abraçou.
Não entendia direito o que tinha acontecido, só sabia que estava com um sorriso bobo no rosto e todo mundo no colégio me olhava como se estivesse com um nariz de palhaço, ou se tivesse esquecido de colocar as calças antes de sair de casa. Mas não me importava, eu estava feliz de mais para ligar para eles, o único lado ruim, é que ele não havia me pedido em namoro, simplesmente me deu um beijo e saiu.
Naquele mesmo dia, na hora da saída, ouvi uma conversa dele com uns amigos, sei que isso não é educado, só que quando mencionaram meu nome, parei e escutei. Foi tão decepcionante, era tudo uma aposta. Uma maldita aposta. Estava tão arrasada que sai correndo para a minha casa, contei tudo para a minha mãe.
Me sentia uma boba, não conseguia acreditar que cai na brincadeira dele. Fui tão sincera com Klaus, achei que ele  realmente sentia o mesmo, mas como na maioria das vezes, estava errada. No dia seguinte, no colégio, não falei com ninguém, assisti a todas as aulas em silêncio. Quando falavam comigo, apenas os ignorava.
Quando veio falar comigo, Klaus estava com os olhos vermelhos, provavelmente de chorar, sei que se não fosse a maquiagem, estaria muito pior que ele, pois passei a noite em claro chorando. Não dizia nada, só o olhava. Quando resolveu falar , me contou que ele realmente me amava, mas que os meninos estavam o desafiando a me dizer.
Sinceramente não sabia se acreditava ou não nele. Escutei tudo calada. Mas quando falei, despejei tudo, disse que o amava, e que ele me magoou muito, eu acreditava nele  e o contei tudo o que sentia, e o que  me deu em troca? Decepção. Me fez acreditar no que dizia, e depois me diz que tudo não passou de uma aposta. Ele que já estava com os olhos vermelhos, voltou a chorar.
Ficamos duas semanas sem trocar uma palavra, até que  a turma combina de fazer uma junção, como minha casa é grande, e a mamãe não se importa, resolvemos fazer aqui. Todos da turma vieram, não vi o Klaus durante todo o tempo, pois sempre arrumava algo para fazer que me mantesse longe dele. No final da noite, me deparei com uma cena um tanto inesperada.
Klaus estava sentado na cadeira de balanço no quintal, olhando uma foto nossa de alguns meses atrás, mas não só isso, ele estava chorando. Quando viu que me aproximava, limpou rápido o choro e me deu um sorriso torto. Agora eu percebo que fui muito dura com ele, então pedi desculpas e perguntei se o que havia me dito era verdade. Se ele realmente me amava.
A única coisa que fez foi me abraçar e dizer que eu era tudo para ele, que se me perdesse algum dia, nunca perdoaria a si mesmo.  Ficamos um longo tempo abraçados, até que Klaus se afastou e me pediu em namoro. Foi a minha vez de chorar, e apesar de tudo, eu o amava tanto, e aceitei seu pedido. Hoje faz duas semanas que estamos juntos.
Então é isso, vou indo, que já está na hora de dormir.
                Beijinhos
                                Elena