21/09/2012

Sentimentos





O verdadeiro amor. Alguns acreditam outros não. Algumas pessoas nunca o acham, mas outras têm a sorte de encontrar o que chamamos de alma gêmea. Foi o que aconteceu a eles. Realmente amas destinadas a se encontrarem. Nasceram na mesma família, primos. Eram amigos, nem sempre foram próximos, mas acabaram criando uma cumplicidade. Logo era uma amizade inseparável. Ela estava apaixonada, não por ele, mas o destino queria que eles se juntassem. A paixão pelo outro garoto começou a diminuir, o carinho pelo primo começou a transformar-se em algo mais profundo.
Após algumas conversas com sua melhor amiga a garota começou a desconfiar que seus sentimentos fossem mais fortes do que pareciam. Ele também começou a sentir-se diferente, com ela sempre no pensamento. As mensagens antes de amizade, agora eram de amor. Ela só falava nele e ele só pensava nela.
Finalmente se declararam. Ela tava toda boba, feliz por ele gostar dela do jeito que ela gostava dele. Desse dia e diante os dois eram só sorrisos. Conversavam o tempo todo, só queriam saber um do outro! Mas, tinham um pequeno problema: Contar ao pai dela.
Os dois nervosos, sem saber como contariam para a família. A amiga dela- que agora já era amiga dele também-, mais preocupada que os dois juntos, mas como conselheira psicóloga e pacificadora, tentava acalmar as coisas.
Foi bem mais fácil do que pensaram. O pai aceitou bem. A família compreendeu e agora nada mais impedia de ficarem juntos. Estavam mais felizes do que nunca!
Hora de encontrarem-se pessoalmente. Cada um estava mais ansioso que o outro, contando os minutos. No dia que ele pediu ela em namoro suas mãos tremiam. Os olhos dela brilhavam, seus corações estavam disparados. Ela disse sim sem hesitar.
Agora estão juntos, apaixonados, nada os separa. O amor deles cresce a cada dia, sua cumplicidade é criada pouco a pouco. Todos que olham em seus olhos podem ver que é verdadeiro. História parecida com a de Eduardo e Mônica.
Algumas pessoas -as que nunca conheceram o amor- podem pensar que, com tantas pessoas no mundo, por que justamente primos foram se apaixonar. Essas pessoas não entendem. O amor é uma palavra sem explicação, sem pontos nem vírgulas, sem abreviaturas. Não pode ser estudado ou entendido, apenas sentido e transmitido. Quando duas almas gêmeas como essas se encontram, nada pode deter ou terminar com o amor.

16/09/2012

Surreal




A cada dia me apaixonava mais, não havia espaço para tanto amor dentro do meu coração, a cada dia que passava ele me conquista mais e mais, por diversas noites fiquei em claro pensando em como seria bom estar nos seus braços.  Imaginava nós dois passeando de mãos dadas no parque, vendo um filme abraçados. Não tem jeito de tirar da cabeça, acordo e durmo pensando nele.
No momento em que descobri que  Mateus  também me amava, comecei a tremer, não sabia se ria ou chorava, mas tive que me controlar, não me contive e abri um sorriso enorme, e estava com os olhos brilhando. Minhas amigas me olharam e perguntaram se estava me sentindo bem, pois estava com os olhos cheios de lágrimas, mas não de tristeza, mas sim de pura e completa felicidade, é muito bom descobrir que quem você ama, sente o mesmo por você.
A felicidade era tanta que não havia espaço o suficiente dentro do meu coração, minhas amigas já não me aguentam mais, dizem que estou muito mais irritante que antes. Não cansava de dizer para  ­­­ Mateus o quanto o amo.  A cada olhar, cada abraço, me sentia muito mais feliz.
Se já estava feliz só em saber que ele me ama, imagina quando me pediu em namoro.. Foi tão lindo.  Estávamos  em  um jardim, muito lindo, quando Mateus olhou no fundo dos meus olhos, e disse que queria ficar comigo para o resto da vida, e perguntou se eu queria namorar com ele. Nesse momento sim, não me contive comecei a chorar, me abracei nele  e não queria soltar mais.
Não sabia como era possível, mas a cada dia estávamos mais apaixonados, nem parecia que já estamos juntos a mais de seis meses. Para comemorar o nosso aniversário de namoro, passamos o dia inteiro na praia. Já estava ficando tarde, o entardecer estava lindo, o céu completamente laranja, estava começando um vento gelado, Mateus me convidou para caminhar na beira da praia, enquanto caminhávamos, percebi que ele me abraçava forte, como se não quisesse me largar, com medo de me perder.
Paramos em um ponto na praia que não se via nenhuma pessoa então, Mateus me olhou e disse:
- Não acha que está silencioso de mais? Que tal gritar algo para todo o mundo ouvir??
De inicio achei meio maluca essa ideia dele, mas depois quando vi que falava sério, apenas olhei em seus olhos, acenei  com a cabeça, fui para a beirinha da água e gritei:
- EU TE AMO MATEUS
Voltei para onde ele estava, e disse que era a sua vez.  A única coisa que Mateus  fez, foi me abraçar forte, me dar um beijo sereno nos lábios e sussurrar no meu ouvido:
- Eu te amo, você se tornou meu mundo, virou meu maior sonho. Deixa eu pegar na sua mão, e olhar nos teus olhos, sabe, teu olhar ilumina muito mais que as estrelas, ele ilumina minha alma, aquece meu coração.
E como a boa derretida que sou, quando terminou de falar eu já estava chorando,  mas o que mais me surpreendeu, foi ele se afastar, se ajoelhar na minha frente, pegar uma caixinha de veludo vermelho do bolso da calça, e perguntar:
- Luisa,  casa comigo?
Em meio aos soluços, disse um simples “aceito” , e me perdi em seus braços, não sabia o que dizer ou falar, apenas me sentia completamente feliz, sabendo que o teria comigo para o resto da minha vida.

Sunshine




Vendo-a agora, dançando como se nada mais importasse, balançando seus longos cachos loiros, seu vestido esvoaçando, seus pés descalços, os olhos fechados, mas as lágrimas correndo em seu rosto e, apesar disso, com um sorriso inocente e sincero como de uma criança, lembrei da primeira vez que a vi.
Tinha 16 anos, era uma noite chuvosa e eu voltava da casa de um amigo. A estrada estava vazia, então não me preocupei quando fui dobrar em uma curva. Quase me acidentei tentando desviar de uma menina que andava pelo meio da estrada. Ela usava um vestido longo preto meio hippie, os cabelos pingando água. Buzinei pra que ela saísse da frente, mas ela não mexeu um milímetro, como se não me ouvisse. Parei o carro com a intenção de perguntar se ela era uma louca suicida, mas quando percebi que ela chorava desconsoladamente esqueci que estava bravo. Saí do carro, coloquei meu casaco em seus ombros e tentei fazê-la entrar no carro. Ela não se moveu então a peguei no colo e coloquei no banco ao meu lado. Quando nossos corpos se tocaram tive uma estranha sensação de que uma corrente elétrica me atravessou. Enquanto seguia na estrada perguntei o que havia acontecido, mas ela não respondeu. Perguntei seu nome e pela primeira vez ela me olhou e respondeu:
_Aimê.
Nunca vou esquecer seu sorriso triste ao dizer seu nome, como se aquilo lhe trouxesse lembranças que ela não queria mais ter.
Queria levá-la ao hospital, mas ela me garantiu que estava tudo bem, que não havia se machucado. Então quis saber onde era sua casa e lágrimas verteram novamente de seus olhos enquanto explicava onde morava. Deixei ela enfrente a uma casa antiga, mal cuidada pelo tempo, mas muito bonita e com um jardim perfeito. Aimê tentou devolver meu casaco, mas eu disse pra ela ficar com ele que eu voltaria no outro dia para saber como ela estava e pegaria o casaco. Ela assentiu e entrou na casa.
Durante todo meu caminho de volta não conseguia tirar Aimê da cabeça. Apesar de estar encharcada pela chuva estava linda. Tinha cabelos dourados caindo sobre os ombros e uma flor prendendo-o preta como o vestido. Seus olhos eram de um castanho surpreendente e sua pele era muito clara. Passei a noite acordado pensando em como ela estaria.
No outro dia, após a escola, voltei a casa dela para saber se estava tudo bem. Ela me recebeu na porta com um “você veio mesmo” e abriu um sorriso extremante doce que fez meu coração disparar. Sua casa era deslumbrante, apesar de não estar muito organizada parecia decorada com muito carinho e parecia muito iluminada. Era Cheia de fotos de uma família muito feliz, era toda colorida com quadros de bandas antigas, sinos de vento na janela e símbolos da paz por todo lado.
Aimê me agradeceu por ter levado ela até sua casa na outra noite e entregou-me o casaco. Quando perguntei o que havia acontecido, sua expressão se tornou fria, baixou os olhos, mas, ao contrário da outra noite, me contou tudo.
_Estava voltando do enterro dos meus pais. Eles foram assassinados por policiais enquanto protestavam no centro da cidade. Vários de seus amigos foram mortos também e ontem teve homenagem a todos eles. Agora eu moro aqui, sozinha, pois sou emancipada.
Fiquei sem ação quando ela começou a chorar desesperadamente, então apenas a abracei até que ela se acalmasse.
Nos tornamos melhores amigos, andávamos juntos o tempo todo, fazíamos tudo juntos. Ela me contou tudo sobre sua família. Seus pais se conheceram entre os anos 60 e 70, eram hippies e viviam em um acampamento. Se apaixonaram, casaram-se e após alguns anos tiveram ela. Colocaram seu nome de Aimê por que significa “amada”. Ela cresceu em meio aos ideais hippies e tornou-se uma também. Era uma família muito feliz, harmoniosa, seus pais eram seus ídolos. Até que naquele dia, um grupo de amigos foi protestar pela paz e acabaram mortos por policiais. O mundo de Aimê caiu, ela estava sozinha e, segundo ela, me conhecer foi um presente do universo, pois eu emanava uma “energia muito positiva” e ela se sentia bem ao meu lado.
Acabei me apaixonando por ela e a cuidava como se fosse minha vida. Passamos os últimos anos juntos e quando terminamos a escola decidimos nos casar.
Agora eu a vejo dançar na festa de nosso casamento- que foi em uma cerimônia hippie muito divertida- e consigo perceber sua felicidade ouvindo sua música favorita da Janis Joplin sacudindo a barra do seu vestido branco de rendas, com os pés na grama, as mãos em seus cabelos cheios de florzinha e sei que está absorvendo a “força da natureza” e sentindo a energia do momento. Seu sorriso inocente é por estar feliz e suas lágrimas são por estar lembrando de seus pais e de quando era pequena dançando junto com eles nesse mesmo gramado.
Percebo agora porque a amo mais do que tudo no mundo. Ela apareceu do nada, uma menina misteriosa, tão diferente em seu estilo de vida e mudou todo o curso da minha. Me completou, me fez entender o que é o amor em todos os seus sentidos, me trouxe a real felicidade. Ela é a razão de tudo, é como uma droga pra mim, meu raio de sol, um “presente do universo” feito a minha medida.


07/09/2012

Aposta



Querido Diário,
Faz tanto tempo que não lhe conto as novidades. Esse ultimo mês aconteceram muitas coisas que não sei nem por onde começar. Todos os dias acordo pensando “nele”, é incrível o modo como me sinto. Cada dia mais forte, mais feliz, como se pudesse derrubar o Mundo com um piscar de olhos.
Mas estou me sentindo assim, principalmente porque descobri que Klaus sente o mesmo. Eu estava em aula, estávamos conversando como sempre, quando ele me fala que não para de pensar em como seria nós juntos, disse que me ama mais que qualquer coisa no mundo.
Não sabia se ria ou chorava, tive que me conter, pois afinal, estávamos em aula. Fiquei muda, olhando para o seu rosto, a professora chamou minha atenção, não pude falar que sentia o mesmo, primeiro porque estava em aula, e segundo, pois tinha certeza de que minha voz não sairia mais alto  que um sussurro.
No intervalo arrastei minhas amigas comigo para o banheiro, elas me olhavam e perguntaram se  estava bem, se eu não passaria mal ou coisa do tipo. Passei uma água no rosto e sai a procura-lo pelo colégio. O encontrei perto do bebedouro, conversando com nossos amigos, perguntei se poderia falar com ele a sós.
Fomos para uma espécie de jardim que tem o pátio onde geralmente não tem ninguém. Olhei no fundo dos seus olhos por um tempo, então disse que o amava a muito tempo, mas que não tinha contado, por medo de estragar nossa amizade. Klaus simplesmente me deu um beijo singelo nos lábios e me abraçou.
Não entendia direito o que tinha acontecido, só sabia que estava com um sorriso bobo no rosto e todo mundo no colégio me olhava como se estivesse com um nariz de palhaço, ou se tivesse esquecido de colocar as calças antes de sair de casa. Mas não me importava, eu estava feliz de mais para ligar para eles, o único lado ruim, é que ele não havia me pedido em namoro, simplesmente me deu um beijo e saiu.
Naquele mesmo dia, na hora da saída, ouvi uma conversa dele com uns amigos, sei que isso não é educado, só que quando mencionaram meu nome, parei e escutei. Foi tão decepcionante, era tudo uma aposta. Uma maldita aposta. Estava tão arrasada que sai correndo para a minha casa, contei tudo para a minha mãe.
Me sentia uma boba, não conseguia acreditar que cai na brincadeira dele. Fui tão sincera com Klaus, achei que ele  realmente sentia o mesmo, mas como na maioria das vezes, estava errada. No dia seguinte, no colégio, não falei com ninguém, assisti a todas as aulas em silêncio. Quando falavam comigo, apenas os ignorava.
Quando veio falar comigo, Klaus estava com os olhos vermelhos, provavelmente de chorar, sei que se não fosse a maquiagem, estaria muito pior que ele, pois passei a noite em claro chorando. Não dizia nada, só o olhava. Quando resolveu falar , me contou que ele realmente me amava, mas que os meninos estavam o desafiando a me dizer.
Sinceramente não sabia se acreditava ou não nele. Escutei tudo calada. Mas quando falei, despejei tudo, disse que o amava, e que ele me magoou muito, eu acreditava nele  e o contei tudo o que sentia, e o que  me deu em troca? Decepção. Me fez acreditar no que dizia, e depois me diz que tudo não passou de uma aposta. Ele que já estava com os olhos vermelhos, voltou a chorar.
Ficamos duas semanas sem trocar uma palavra, até que  a turma combina de fazer uma junção, como minha casa é grande, e a mamãe não se importa, resolvemos fazer aqui. Todos da turma vieram, não vi o Klaus durante todo o tempo, pois sempre arrumava algo para fazer que me mantesse longe dele. No final da noite, me deparei com uma cena um tanto inesperada.
Klaus estava sentado na cadeira de balanço no quintal, olhando uma foto nossa de alguns meses atrás, mas não só isso, ele estava chorando. Quando viu que me aproximava, limpou rápido o choro e me deu um sorriso torto. Agora eu percebo que fui muito dura com ele, então pedi desculpas e perguntei se o que havia me dito era verdade. Se ele realmente me amava.
A única coisa que fez foi me abraçar e dizer que eu era tudo para ele, que se me perdesse algum dia, nunca perdoaria a si mesmo.  Ficamos um longo tempo abraçados, até que Klaus se afastou e me pediu em namoro. Foi a minha vez de chorar, e apesar de tudo, eu o amava tanto, e aceitei seu pedido. Hoje faz duas semanas que estamos juntos.
Então é isso, vou indo, que já está na hora de dormir.
                Beijinhos
                                Elena

O Som do Vento



Nunca tive nada de especial, sempre fui uma pessoa comum. Não sou muito popular nem extrovertida, amigos de verdade tenho poucos, beleza não é meu forte. Mas tem uma coisa que eu faço e acho que sou única nisso, é a minha incrível ligação com a natureza.
Sempre gostei do silêncio e da solidão - puxei ao meu pai nesse aspecto -, então passava muito tempo andando pela praia ou na floresta. Depois de um tempo, comecei a perceber que conseguia "mexer" com algumas coisas, como a chuva, o vento, as nuvens.
Às vezes, deito sozinha na areia ou em meio às árvores e começo a fazer algumas coisas acontecerem e fico ouvindo oque a natureza diz. Eu consigo escutar as coisas que as plantas e os animais falam e alguns sons que ouvidos comuns não conseguem. 
O vento, por exemplo, tem uma música impossível de descrever, uma canção apaixonante que traz uma paz inexplicável, faz tudo ficar bonito. As plantas dançam ao seu ritmo, os animais silenciam para ouvi-lo, tudo se renova. O vento traz grandes mudanças para todos, inclusive nós. É ele que decide o curso de nossas vidas e leva nossos sonhos aos seus destinos. Como um Deus que está presente em tudo cuidando de todos nós e embalando todos os movimentos do planeta.
 Lindo também é a noite de lua cheia na praia. Ninguém percebe, mas a luz da lua faz a areia ganhar um brilho prata deslumbrante. A maré muda, os sons ficam tranquilos e tudo emite uma energia maravilhosa.
Tem coisas no mundo, que as pessoas infelizmente - ou felizmente- nem imaginam.
A melhor coisa que faço, é me transformar. Quando me concentro bastante, sou capaz de sair do meu corpo e virar animais, árvores, flores ou, o mais encantador de todos, água. É incrível a sensação de "ser" a água, principalmente a chuva. Cair devagar, molhar tudo, me dispersar, trazer vida às coisas...
Mas como eu disse, não tenho nada de especial. Pelo menos aos olhos humanos...