21/09/2012

Sentimentos





O verdadeiro amor. Alguns acreditam outros não. Algumas pessoas nunca o acham, mas outras têm a sorte de encontrar o que chamamos de alma gêmea. Foi o que aconteceu a eles. Realmente amas destinadas a se encontrarem. Nasceram na mesma família, primos. Eram amigos, nem sempre foram próximos, mas acabaram criando uma cumplicidade. Logo era uma amizade inseparável. Ela estava apaixonada, não por ele, mas o destino queria que eles se juntassem. A paixão pelo outro garoto começou a diminuir, o carinho pelo primo começou a transformar-se em algo mais profundo.
Após algumas conversas com sua melhor amiga a garota começou a desconfiar que seus sentimentos fossem mais fortes do que pareciam. Ele também começou a sentir-se diferente, com ela sempre no pensamento. As mensagens antes de amizade, agora eram de amor. Ela só falava nele e ele só pensava nela.
Finalmente se declararam. Ela tava toda boba, feliz por ele gostar dela do jeito que ela gostava dele. Desse dia e diante os dois eram só sorrisos. Conversavam o tempo todo, só queriam saber um do outro! Mas, tinham um pequeno problema: Contar ao pai dela.
Os dois nervosos, sem saber como contariam para a família. A amiga dela- que agora já era amiga dele também-, mais preocupada que os dois juntos, mas como conselheira psicóloga e pacificadora, tentava acalmar as coisas.
Foi bem mais fácil do que pensaram. O pai aceitou bem. A família compreendeu e agora nada mais impedia de ficarem juntos. Estavam mais felizes do que nunca!
Hora de encontrarem-se pessoalmente. Cada um estava mais ansioso que o outro, contando os minutos. No dia que ele pediu ela em namoro suas mãos tremiam. Os olhos dela brilhavam, seus corações estavam disparados. Ela disse sim sem hesitar.
Agora estão juntos, apaixonados, nada os separa. O amor deles cresce a cada dia, sua cumplicidade é criada pouco a pouco. Todos que olham em seus olhos podem ver que é verdadeiro. História parecida com a de Eduardo e Mônica.
Algumas pessoas -as que nunca conheceram o amor- podem pensar que, com tantas pessoas no mundo, por que justamente primos foram se apaixonar. Essas pessoas não entendem. O amor é uma palavra sem explicação, sem pontos nem vírgulas, sem abreviaturas. Não pode ser estudado ou entendido, apenas sentido e transmitido. Quando duas almas gêmeas como essas se encontram, nada pode deter ou terminar com o amor.

16/09/2012

Surreal




A cada dia me apaixonava mais, não havia espaço para tanto amor dentro do meu coração, a cada dia que passava ele me conquista mais e mais, por diversas noites fiquei em claro pensando em como seria bom estar nos seus braços.  Imaginava nós dois passeando de mãos dadas no parque, vendo um filme abraçados. Não tem jeito de tirar da cabeça, acordo e durmo pensando nele.
No momento em que descobri que  Mateus  também me amava, comecei a tremer, não sabia se ria ou chorava, mas tive que me controlar, não me contive e abri um sorriso enorme, e estava com os olhos brilhando. Minhas amigas me olharam e perguntaram se estava me sentindo bem, pois estava com os olhos cheios de lágrimas, mas não de tristeza, mas sim de pura e completa felicidade, é muito bom descobrir que quem você ama, sente o mesmo por você.
A felicidade era tanta que não havia espaço o suficiente dentro do meu coração, minhas amigas já não me aguentam mais, dizem que estou muito mais irritante que antes. Não cansava de dizer para  ­­­ Mateus o quanto o amo.  A cada olhar, cada abraço, me sentia muito mais feliz.
Se já estava feliz só em saber que ele me ama, imagina quando me pediu em namoro.. Foi tão lindo.  Estávamos  em  um jardim, muito lindo, quando Mateus olhou no fundo dos meus olhos, e disse que queria ficar comigo para o resto da vida, e perguntou se eu queria namorar com ele. Nesse momento sim, não me contive comecei a chorar, me abracei nele  e não queria soltar mais.
Não sabia como era possível, mas a cada dia estávamos mais apaixonados, nem parecia que já estamos juntos a mais de seis meses. Para comemorar o nosso aniversário de namoro, passamos o dia inteiro na praia. Já estava ficando tarde, o entardecer estava lindo, o céu completamente laranja, estava começando um vento gelado, Mateus me convidou para caminhar na beira da praia, enquanto caminhávamos, percebi que ele me abraçava forte, como se não quisesse me largar, com medo de me perder.
Paramos em um ponto na praia que não se via nenhuma pessoa então, Mateus me olhou e disse:
- Não acha que está silencioso de mais? Que tal gritar algo para todo o mundo ouvir??
De inicio achei meio maluca essa ideia dele, mas depois quando vi que falava sério, apenas olhei em seus olhos, acenei  com a cabeça, fui para a beirinha da água e gritei:
- EU TE AMO MATEUS
Voltei para onde ele estava, e disse que era a sua vez.  A única coisa que Mateus  fez, foi me abraçar forte, me dar um beijo sereno nos lábios e sussurrar no meu ouvido:
- Eu te amo, você se tornou meu mundo, virou meu maior sonho. Deixa eu pegar na sua mão, e olhar nos teus olhos, sabe, teu olhar ilumina muito mais que as estrelas, ele ilumina minha alma, aquece meu coração.
E como a boa derretida que sou, quando terminou de falar eu já estava chorando,  mas o que mais me surpreendeu, foi ele se afastar, se ajoelhar na minha frente, pegar uma caixinha de veludo vermelho do bolso da calça, e perguntar:
- Luisa,  casa comigo?
Em meio aos soluços, disse um simples “aceito” , e me perdi em seus braços, não sabia o que dizer ou falar, apenas me sentia completamente feliz, sabendo que o teria comigo para o resto da minha vida.

Sunshine




Vendo-a agora, dançando como se nada mais importasse, balançando seus longos cachos loiros, seu vestido esvoaçando, seus pés descalços, os olhos fechados, mas as lágrimas correndo em seu rosto e, apesar disso, com um sorriso inocente e sincero como de uma criança, lembrei da primeira vez que a vi.
Tinha 16 anos, era uma noite chuvosa e eu voltava da casa de um amigo. A estrada estava vazia, então não me preocupei quando fui dobrar em uma curva. Quase me acidentei tentando desviar de uma menina que andava pelo meio da estrada. Ela usava um vestido longo preto meio hippie, os cabelos pingando água. Buzinei pra que ela saísse da frente, mas ela não mexeu um milímetro, como se não me ouvisse. Parei o carro com a intenção de perguntar se ela era uma louca suicida, mas quando percebi que ela chorava desconsoladamente esqueci que estava bravo. Saí do carro, coloquei meu casaco em seus ombros e tentei fazê-la entrar no carro. Ela não se moveu então a peguei no colo e coloquei no banco ao meu lado. Quando nossos corpos se tocaram tive uma estranha sensação de que uma corrente elétrica me atravessou. Enquanto seguia na estrada perguntei o que havia acontecido, mas ela não respondeu. Perguntei seu nome e pela primeira vez ela me olhou e respondeu:
_Aimê.
Nunca vou esquecer seu sorriso triste ao dizer seu nome, como se aquilo lhe trouxesse lembranças que ela não queria mais ter.
Queria levá-la ao hospital, mas ela me garantiu que estava tudo bem, que não havia se machucado. Então quis saber onde era sua casa e lágrimas verteram novamente de seus olhos enquanto explicava onde morava. Deixei ela enfrente a uma casa antiga, mal cuidada pelo tempo, mas muito bonita e com um jardim perfeito. Aimê tentou devolver meu casaco, mas eu disse pra ela ficar com ele que eu voltaria no outro dia para saber como ela estava e pegaria o casaco. Ela assentiu e entrou na casa.
Durante todo meu caminho de volta não conseguia tirar Aimê da cabeça. Apesar de estar encharcada pela chuva estava linda. Tinha cabelos dourados caindo sobre os ombros e uma flor prendendo-o preta como o vestido. Seus olhos eram de um castanho surpreendente e sua pele era muito clara. Passei a noite acordado pensando em como ela estaria.
No outro dia, após a escola, voltei a casa dela para saber se estava tudo bem. Ela me recebeu na porta com um “você veio mesmo” e abriu um sorriso extremante doce que fez meu coração disparar. Sua casa era deslumbrante, apesar de não estar muito organizada parecia decorada com muito carinho e parecia muito iluminada. Era Cheia de fotos de uma família muito feliz, era toda colorida com quadros de bandas antigas, sinos de vento na janela e símbolos da paz por todo lado.
Aimê me agradeceu por ter levado ela até sua casa na outra noite e entregou-me o casaco. Quando perguntei o que havia acontecido, sua expressão se tornou fria, baixou os olhos, mas, ao contrário da outra noite, me contou tudo.
_Estava voltando do enterro dos meus pais. Eles foram assassinados por policiais enquanto protestavam no centro da cidade. Vários de seus amigos foram mortos também e ontem teve homenagem a todos eles. Agora eu moro aqui, sozinha, pois sou emancipada.
Fiquei sem ação quando ela começou a chorar desesperadamente, então apenas a abracei até que ela se acalmasse.
Nos tornamos melhores amigos, andávamos juntos o tempo todo, fazíamos tudo juntos. Ela me contou tudo sobre sua família. Seus pais se conheceram entre os anos 60 e 70, eram hippies e viviam em um acampamento. Se apaixonaram, casaram-se e após alguns anos tiveram ela. Colocaram seu nome de Aimê por que significa “amada”. Ela cresceu em meio aos ideais hippies e tornou-se uma também. Era uma família muito feliz, harmoniosa, seus pais eram seus ídolos. Até que naquele dia, um grupo de amigos foi protestar pela paz e acabaram mortos por policiais. O mundo de Aimê caiu, ela estava sozinha e, segundo ela, me conhecer foi um presente do universo, pois eu emanava uma “energia muito positiva” e ela se sentia bem ao meu lado.
Acabei me apaixonando por ela e a cuidava como se fosse minha vida. Passamos os últimos anos juntos e quando terminamos a escola decidimos nos casar.
Agora eu a vejo dançar na festa de nosso casamento- que foi em uma cerimônia hippie muito divertida- e consigo perceber sua felicidade ouvindo sua música favorita da Janis Joplin sacudindo a barra do seu vestido branco de rendas, com os pés na grama, as mãos em seus cabelos cheios de florzinha e sei que está absorvendo a “força da natureza” e sentindo a energia do momento. Seu sorriso inocente é por estar feliz e suas lágrimas são por estar lembrando de seus pais e de quando era pequena dançando junto com eles nesse mesmo gramado.
Percebo agora porque a amo mais do que tudo no mundo. Ela apareceu do nada, uma menina misteriosa, tão diferente em seu estilo de vida e mudou todo o curso da minha. Me completou, me fez entender o que é o amor em todos os seus sentidos, me trouxe a real felicidade. Ela é a razão de tudo, é como uma droga pra mim, meu raio de sol, um “presente do universo” feito a minha medida.


07/09/2012

Aposta



Querido Diário,
Faz tanto tempo que não lhe conto as novidades. Esse ultimo mês aconteceram muitas coisas que não sei nem por onde começar. Todos os dias acordo pensando “nele”, é incrível o modo como me sinto. Cada dia mais forte, mais feliz, como se pudesse derrubar o Mundo com um piscar de olhos.
Mas estou me sentindo assim, principalmente porque descobri que Klaus sente o mesmo. Eu estava em aula, estávamos conversando como sempre, quando ele me fala que não para de pensar em como seria nós juntos, disse que me ama mais que qualquer coisa no mundo.
Não sabia se ria ou chorava, tive que me conter, pois afinal, estávamos em aula. Fiquei muda, olhando para o seu rosto, a professora chamou minha atenção, não pude falar que sentia o mesmo, primeiro porque estava em aula, e segundo, pois tinha certeza de que minha voz não sairia mais alto  que um sussurro.
No intervalo arrastei minhas amigas comigo para o banheiro, elas me olhavam e perguntaram se  estava bem, se eu não passaria mal ou coisa do tipo. Passei uma água no rosto e sai a procura-lo pelo colégio. O encontrei perto do bebedouro, conversando com nossos amigos, perguntei se poderia falar com ele a sós.
Fomos para uma espécie de jardim que tem o pátio onde geralmente não tem ninguém. Olhei no fundo dos seus olhos por um tempo, então disse que o amava a muito tempo, mas que não tinha contado, por medo de estragar nossa amizade. Klaus simplesmente me deu um beijo singelo nos lábios e me abraçou.
Não entendia direito o que tinha acontecido, só sabia que estava com um sorriso bobo no rosto e todo mundo no colégio me olhava como se estivesse com um nariz de palhaço, ou se tivesse esquecido de colocar as calças antes de sair de casa. Mas não me importava, eu estava feliz de mais para ligar para eles, o único lado ruim, é que ele não havia me pedido em namoro, simplesmente me deu um beijo e saiu.
Naquele mesmo dia, na hora da saída, ouvi uma conversa dele com uns amigos, sei que isso não é educado, só que quando mencionaram meu nome, parei e escutei. Foi tão decepcionante, era tudo uma aposta. Uma maldita aposta. Estava tão arrasada que sai correndo para a minha casa, contei tudo para a minha mãe.
Me sentia uma boba, não conseguia acreditar que cai na brincadeira dele. Fui tão sincera com Klaus, achei que ele  realmente sentia o mesmo, mas como na maioria das vezes, estava errada. No dia seguinte, no colégio, não falei com ninguém, assisti a todas as aulas em silêncio. Quando falavam comigo, apenas os ignorava.
Quando veio falar comigo, Klaus estava com os olhos vermelhos, provavelmente de chorar, sei que se não fosse a maquiagem, estaria muito pior que ele, pois passei a noite em claro chorando. Não dizia nada, só o olhava. Quando resolveu falar , me contou que ele realmente me amava, mas que os meninos estavam o desafiando a me dizer.
Sinceramente não sabia se acreditava ou não nele. Escutei tudo calada. Mas quando falei, despejei tudo, disse que o amava, e que ele me magoou muito, eu acreditava nele  e o contei tudo o que sentia, e o que  me deu em troca? Decepção. Me fez acreditar no que dizia, e depois me diz que tudo não passou de uma aposta. Ele que já estava com os olhos vermelhos, voltou a chorar.
Ficamos duas semanas sem trocar uma palavra, até que  a turma combina de fazer uma junção, como minha casa é grande, e a mamãe não se importa, resolvemos fazer aqui. Todos da turma vieram, não vi o Klaus durante todo o tempo, pois sempre arrumava algo para fazer que me mantesse longe dele. No final da noite, me deparei com uma cena um tanto inesperada.
Klaus estava sentado na cadeira de balanço no quintal, olhando uma foto nossa de alguns meses atrás, mas não só isso, ele estava chorando. Quando viu que me aproximava, limpou rápido o choro e me deu um sorriso torto. Agora eu percebo que fui muito dura com ele, então pedi desculpas e perguntei se o que havia me dito era verdade. Se ele realmente me amava.
A única coisa que fez foi me abraçar e dizer que eu era tudo para ele, que se me perdesse algum dia, nunca perdoaria a si mesmo.  Ficamos um longo tempo abraçados, até que Klaus se afastou e me pediu em namoro. Foi a minha vez de chorar, e apesar de tudo, eu o amava tanto, e aceitei seu pedido. Hoje faz duas semanas que estamos juntos.
Então é isso, vou indo, que já está na hora de dormir.
                Beijinhos
                                Elena

O Som do Vento



Nunca tive nada de especial, sempre fui uma pessoa comum. Não sou muito popular nem extrovertida, amigos de verdade tenho poucos, beleza não é meu forte. Mas tem uma coisa que eu faço e acho que sou única nisso, é a minha incrível ligação com a natureza.
Sempre gostei do silêncio e da solidão - puxei ao meu pai nesse aspecto -, então passava muito tempo andando pela praia ou na floresta. Depois de um tempo, comecei a perceber que conseguia "mexer" com algumas coisas, como a chuva, o vento, as nuvens.
Às vezes, deito sozinha na areia ou em meio às árvores e começo a fazer algumas coisas acontecerem e fico ouvindo oque a natureza diz. Eu consigo escutar as coisas que as plantas e os animais falam e alguns sons que ouvidos comuns não conseguem. 
O vento, por exemplo, tem uma música impossível de descrever, uma canção apaixonante que traz uma paz inexplicável, faz tudo ficar bonito. As plantas dançam ao seu ritmo, os animais silenciam para ouvi-lo, tudo se renova. O vento traz grandes mudanças para todos, inclusive nós. É ele que decide o curso de nossas vidas e leva nossos sonhos aos seus destinos. Como um Deus que está presente em tudo cuidando de todos nós e embalando todos os movimentos do planeta.
 Lindo também é a noite de lua cheia na praia. Ninguém percebe, mas a luz da lua faz a areia ganhar um brilho prata deslumbrante. A maré muda, os sons ficam tranquilos e tudo emite uma energia maravilhosa.
Tem coisas no mundo, que as pessoas infelizmente - ou felizmente- nem imaginam.
A melhor coisa que faço, é me transformar. Quando me concentro bastante, sou capaz de sair do meu corpo e virar animais, árvores, flores ou, o mais encantador de todos, água. É incrível a sensação de "ser" a água, principalmente a chuva. Cair devagar, molhar tudo, me dispersar, trazer vida às coisas...
Mas como eu disse, não tenho nada de especial. Pelo menos aos olhos humanos...

24/08/2012

Indecisão




A história da minha vida provavelmente quem ler não acreditará, já que eu mesmo desacreditei por um tempo.
Há um ano descobri que sou descendente de um personagem de contos de fadas. Uma dica, minha cor favorita é vermelho. Exato, minha ancestral é a chapeuzinho vermelho. No começo me recusei a crer nisso, pois era uma bobagem, já que não passava de um conto criado para assustar as crianças e fazê-las obedecer a suas mães. A verdadeira história, descobri depois. Na verdade chapeuzinho não era uma criança e sim uma garota de dezesseis anos - a idade que tenho hoje- e era caçadora de lobisomens. Caçá-los era seu trabalho, sua maldição e, infelizmente, passa através das gerações. Hoje sigo seus passos caçando lobos pelo mundo.
A capa vermelha não era apenas um detalhe ou por vaidade, ela atraía os lobos, deixava-os em uma espécie de frenesi.
Nas noites de lua, saio de casa escondida para caçar. Já andei por todos os lugares deste planeta, principalmente florestas e desertos. Encontrei todos os tipos de lobos: educados; malvados; misteriosos; solitários; sexys- que seduzem suas vítimas para que elas não corram-; os que vivem como animais, totalmente entregues a seus instintos; os bons, que se arrependem do que fizeram e são totalmente inofensivos aos humanos e os que negam sua maldição. Alguns deles não matei, apenas os vigio de perto. Não gosto de matar, então só chego a esse ponto com os realmente malvados sanguinários.
Nunca estive em uma situação como a de agora. Ele é diferente de todos que eu conheci. É realmente assassino, gosta de ver o sangue correndo de suas vítimas. Mas, ao mesmo tempo, tem um lado humano surpreendente. Carinhoso, inofensivo. Seus olhos ternos, seu sorriso inocente e cativante. É como se, em sua forma humana, ele fosse outro ser que não tem nenhuma consciência e nenhum controle sobre o animal que vive em seu interior.
Preciso caçá-lo, é meu dever. Ele é mau e não posso deixá-lo tirar mais vidas inocentes. Mas não tenho coragem, não consigo nem imaginar atingi-lo de alguma forma. Sinto como se isso fosse machucar a mim. Simplesmente não posso fazer isso por que estou apaixonada. Esse lobo é o amor da minha vida.




De repente, Amor





Estava fazendo as malas, mais uma vez. Deveria ser décima vez que estava fazendo a mesma coisa, só para matar tempo, não estava com vontade de sair do quarto e brigar mais uma vez com minha mãe, não era justo eu ter que ir nessa maldita viajem por causa dos meus irmãos, eles nem queriam que eu fosse, não sei porque a mamãe encasquetou que eu teria que ir junto.
“Vocês três estão muito distantes um do outro, essa viajem vai aproximar vocês, vai ser melhor para todos, e eu ainda terei tempo de fazer a mudança para a casa nova.” Minha relação com os gêmeos nunca foi a das melhores, mas também nunca foi horrível. Eu era o mais novo, recém estava começando o ensino médio, enquanto eles já estavam terminando, me tratavam com indiferença, e as vezes com ciúmes, por acharem que era o queridinho da mamãe, mal eles sabiam  que estavam enganados.  Desde a morte do papai ela só sabe falar nos gêmeos, se fala mal deles coitado de quem falou.
Querendo ou não querendo teria que ir na viajem,  não que o fato agradasse a Lucas e Camilla, ou a mim. Mas quem sabe a mamãe tenha razão, pode ser que melhore nosso relacionamento, ou pode ser que piore.
No momento em que estávamos nos despedindo da mamãe, eu a olhei e disse “Se o nosso relacionamento piorar, a culpa vai ser sua”. Me senti culpado por dizer isso a ela, mas era verdade, ela conhece aos três filhos tão bem quanto qualquer outro.
Já estava perto do horário do almoço, então o ônibus parou em um restaurante qualquer de beira de estrada, Lucas e Camilla foram com seus namorados para uma mesa e me deixaram sozinho, escolhi alguma coisa aleatória para comer e sentei em uma mesa no canto do restaurante. Não percebi quanto tempo havia passado, quando uma menina veio me chamar para voltarmos para o ônibus, nem sabia que ela estava para esse tal acampamento também, bom, para falar a verdade a única coisa que havia percebido era que estava acabando a bateria do meu celular e não teria mais musica para escutar.
Ao voltarmos para o ônibus, essa menina sentou do meu lado, no inicio a ignorei, não queria conversar com ninguém com medo de soar grosso, ou infantil de mais, quando me perguntassem  qual o motivo de ter escolhido esse acampamento e eu respondesse “Estou indo contra a minha vontade, porquê a minha mãe acha que pode me aproximar dos meus irmãos.”
Quando estava ficando chato não ter nada para fazer , virei para a menina, e percebi que ela era linda, tinha lindos olhos azuis esverdeados, cabelos compridos e loiros, e rosto em forma de coração, e um sorriso perfeito, fiquei sem folego ao olha-la, mas logo me recompus, e perguntei sei nome, no inicio ela não respondeu, estranhando o fato de ter ido falar com ela depois de quase três horas sentados juntos,  seu nome combinava perfeitamente com sua aparência. Isabele, ou Isa, como disse que gostava de ser chamada.
Não respondi imediatamente quando Isa me perguntou do porquê de estar indo para o acampamento, não sabia se falava a verdade, ou se dizia que o tal acampamento me interessava, então olhei em seus olhos, e decidi falar a verdade. Me  irritei quando ela começou a rir, já estava ficando vermelho de raiva, quando ela  diz que estava indo pelo mesmo motivo, mas em vez de ser dois irmãos era um só.
Conversamos animadamente até chegarmos ao acampamento, e sermos arrastados por nossos irmãos para lados diferentes, mas com a  promessa de nos encontrarmos pelo acampamento para nos conhecermos mais, acho que seria bom, não passaria tanto tempo com os chatos dos gêmeos.
No momento em que entrei em nossa cabana, Lucas começou a falar que eu estava namorando, me irritando, oras, não podia conversar com uma menina que estava namorando? Xinguei, e mesmo sendo mais novo que ele, ainda colocava medo neles, pelo fato, de ser maior que ele, pois o tempo em que ele estava namorando, eu estava na academia, para ficar o maior tempo  possível longe deles.  Depois que me acomodei na cama mais distante possível dos dois, sai para conhecer o acampamento, estava alheio a tudo, olhando sem realmente enxergar, quando ouço alguém me chamando:
“Oi, Léo, Léo, LEONAAARDO!”  No momento em que vi quem estava me chamando, dei um pulo, eu estava deitado na grama, perto das árvores, estava escuro, senti uma vontade enorme de abraçar a Isabele, não sei por qual motivo, mas simplesmente levantei, e a abracei. Ela não me abraçou de imediato, mas depois de alguns segundos abraçou-me de volta. Me senti meio constrangido por praticamente ter a atacado. Nem eu entendia de porquê a ter abraçado, podia ser a gratidão por me acordar, pois estava ficando muito frio, ou por outro motivo que não sabia qual era.
Em menos de um mês de acampamento eu estava mais do que apaixonado por Isa, e a mamãe estava certa, esse acampamento me aproximaria dos meus irmãos, desde que eles  virão Isa e eu abraçados vendo o anoitecer, perceberam que eu não era mais uma criancinha, e que estava na hora de me respeitarem, Camilla me dava conselhos  de como pedis Isabele em namoro, enquanto Lucas tentava dizer como era ser um homem de verdade para uma mulher. Era um tanto cômico, eu nunca na vida tinha pensado que os dois estariam me ajudando nesse assunto.
Quem diria, que eu estar apaixonado pela garota mais linda, e simpática que conheci me aproximaria dos meus irmãos mais velhos. Mamãe iria ficar furiosa por eu ter arrumado uma namorada em um acampamento de verão, mas não poderia fugir do sentimento que floresceu no meu coração, e tenho certeza que Isabele conquistaria a sua sogra em um piscar de olhos.
Estava calor, muito calor, tinha convidado Isabele para caminhar na beira do lago que tinha no acampamento, e fazer um piquenique, mergulhei na imensidão de seus olhos, quando me recuperei, um pouco sem graça, pois ela havia percebido o modo meio bobo que a olhava, peguei em sua mão, e disse o seguinte: “ Eu quero ser  o seu melhor amigo, ser o seu anjo da guarda, serei total e exclusivamente seu, quero  desvendar os seus segredos, e ficar com você para sempre, pode parecer  cedo, mas o modo como me sinto não tem como esconder, estou completa e totalmente apaixonado por você,  demorei a perceber isso, mas o sentimento é tão forte e intenso, que não pude demorar muito a perceber. Você aceita namorar comigo Isa?”
Falei tudo olhando para nossas mãos entrelaçadas, pois sabia que se olhasse em seus olhos, me perderia em seu olhar e não falaria nada, no momento em que olhei para seu rosto, Isabele estava chorando, mas não parecia triste, e sim feliz, a única coisa que falou foi: “Eu te amo tanto Léo, e sim, eu aceito namorar com você.” E me abraçou, não queria solta-la nunca mais, meu mundo estava completo.
Já não nos separávamos, desde aquele dia estávamos mais felizes do que nunca, os chatos dos nossos irmãos não cansavam de mexer com a gente,  toda vez que lembro o que o irmão mais velho de Isabele,  fez ao descobrir nosso namoro caio na gargalhada, ele simplesmente desmaiou, e depois que acordou, a muito custo por sinal, me fez jurar que jamais  faria sua “bebê” chorar.
O pior dia do acampamento foi o dia de partir, está certo que iriamos juntos até Seattle, mas ainda assim, foi difícil. No momento em que descemos do ônibus, a olhei e jurei que faria de tudo para ir na sua casa, o mais rápido possível, e afirmei que o tempo longe seria uma tortura, no momento em que a mamãe nos viu abraçados, já me olhou com cara feia, e veio tirar satisfações, mas como imaginava, Isa a conquistou  com poucas palavras, e ela já estava literalmente dando pulinhos no meio da rodoviária.
Mamãe fez um mistério enorme sobre onde era a casa nova, dizia que iriamos adorar, pois cada um teria o seu quarto, o que na antiga casa não tínhamos, pois eu e Lucas dividíamos o mesmo quarto, no momento em que ela disse isso, foi eu quem quase dei pulos de alegria. A casa era linda, tinha dois andares e um jardim enorme na parte da frente da casa, e aparentemente, tinha um pátio enorme atrás da casa. Assim que desci do carro, e olhei para os lados, vi Isabele tirando suas malas do carro, sua casa era na frente da minha, não podia acreditar, no momento em que me viu, veio correndo me abraçar, não estávamos acreditando, só poderia ser um sonho, depois de um verão incrível juntos em um acampamento, acabamos descobrindo que moraríamos um na frente do outro.
Não bastava morar perto de Isa, ainda estudaria no mesmo colégio que ela, o mundo não poderia estar melhor, estávamos tão felizes, que não vimos o tempo passar. Já estávamos terminando o ensino médio, não dava para acreditar, quatro anos juntos, e ainda continuávamos loucamente apaixonados. Sabia o que queria para o resto da minha vida, e era fazer a minha faculdade de Direito, e viver com Isabele pelo resto da minha vida.
No dia em que faríamos cinco anos de namoro, a pedi em casamento, que aceitou sem nem pensar, nossos pais ficaram meio receosos com nossa decisão, mas logo viram que  estávamos tão felizes e  convictos da nossa decisão, que não mudaríamos de ideia fácil. Começamos a procurar um apartamento para morarmos, ao mesmo tempo em que nossas mães e ela preparavam a cerimonia.
Estava tão nervoso, Isabele já estava quinze minutos atrasada, minha mãe disse que era normal a noiva se atrasar, disse que meu pai estava a ponto de ir busca-la em casa, quando ela chegou na igreja, e que não era para me preocupar, que a Isa iria chegar a qualquer momento, mesmo assim não descansei até que a marcha nupcial começou a tocar e todas as pessoas se levantaram para ver a mulher da minha vida entrando na igreja.
Estava tão linda, o cabelo preso em um coque desajeitado, com uma coroa na cabeça, o vestido* era simples, mas lindo, completamente de seda, liso, manga comprida, porém nas costas era com um tecido transparente, com algumas flores de renda. Não conseguia acreditar como poderia ter ficado ainda mais linda do que já era.
Não poderia estar mais feliz, em cinco anos de namoro, e três de casados, tivemos nossa primeira, a pequena Isabella. Era tão linda quanto a mãe, tinhas os cabelos cor de bronze, na mesma tonalidade dos meus, mas os olhos eram tão azuis quanto os de Isabele.
Minha vida estava completa, amava a minha mulher e filha mais que qualquer outra coisa no mundo.  Se melhor estraga, não havia brigas ou qualquer coisa do tipo em nosso relacionamento. Meus irmãos não paravam de babar na pequena Bellinha, mas não tinha o que fazer, ela era linda mesmo, pobre criança, como seria mimada, tanto pelos pais, quanto pelos avós e tios.
No dia do meu aniversário de 30 anos, Isabele me dá o melhor presente de todos, quando estávamos no sofá da sala assistindo um filme infantil que Bella, que estava com 9 anos, escolheu, me olha e diz as seguintes palavras: “ Amor, estou grávida.”

05/08/2012

Never Think





Não amor, nunca mais pense em mim. Esqueça tudo que vivemos. Siga em frente e seja feliz.
Espero que nunca pense nas noites que ficamos acordados conversando, nas nossas tardes juntos, nossos momentos felizes. Esqueça-se das dificuldades que enfrentamos e a felicidade de conseguir vencer tudo, do gosto bom de nossos beijos, dos dias em que enxugou minhas lágrimas e dos dias em que demos muitas risadas.
Não se lembre mais dos planos e sonhos que tínhamos, das nossas juras. Apague de sua memória os dias em que te esperei ansiosamente, o dia em que nos conhecemos, a sensação de estar flutuando quando nos abraçávamos. Não pense em nossos corações acelerados quando nos víamos.
Procure esquecer de todas as vezes que juramos amor eterno, pois isso não existe na vida real. Somos prova de que o para sempre tem fim. Tudo que vivemos e estávamos sempre prontos. Passamos por cima de todos os problemas com um sorriso no rosto e no fim sempre dizíamos um ao outro “eu te amo e sempre te amarei".
Hoje esse amor não existe mais, todos os sentimentos acabaram. Minha alma hoje é um vazio, eu morri por dentro, você matou tudo que havia em mim. Agora estou eu aqui, tentando continuar a viver, dando sorrisos falsos, dizendo a todo mundo que está tudo bem, enquanto na verdade queria abrir o peito e arrancar essa tristeza.
Espero que esteja feliz e que nunca pense em mim. Não quero notícias nem cumprimentos sem jeito se um dia voltarmos a nos encontrar. Não quero que me diga nada. Apenas, se um dia você puder, devolva meu coração, pois esse vazio no peito dói de mais. Espero conseguir esquecer de você um dia.
Não posso dizer com amor, pois isso não me é mais possível. Então, sem nenhum sentimento no peito, Melissa.

Engano





Naquele momento, olhei para ele e vi todas as lembranças nos seus olhos. Todos os momentos felizes, as brigas, as quais sempre terminavam com um pote de brigadeiro e um filme na sala da minha casa. O dia em que me pediu em namoro, havíamos feito uma excursão com a escola para visitar o Jardim Botânico. Eduardo me levou no chafariz que tem no meio do Jardim, se declarou e me pediu em namoro.
Estava nas nuvens. Eu amava esse garoto desde a 5ª serie e agora, quando estávamos para terminar o ensino fundamental, ele se declara. Não consegui responder na hora. Estava embasbacada, feliz, não parecia real! Com tantas meninas no mundo, ele escolheu a mim. Quando vi que ele estava ficando cabisbaixo, achando que eu não aceitaria, pulei em seu pescoço e disse “sim” umas quinhentas vezes.
Agora estávamos terminando o ensino médio. Queríamos carreiras bem diferentes. Eu queria medicina e ele mecânica. Passamos no vestibular e  não sabia como faríamos para continuar nos vendo, pois as cidades eram distantes.
Faríamos quatro anos de namoro em uma semana, quando Eduardo chega em minha casa e pede para irmos caminhar em um parque, ali perto. No começo não entendi nada do que ele falava, pedi então que parasse de enrolar e me falasse o que queria, pois em todo o tempo em que estivemos juntos, fomos sinceros um com o outro. Fiquei desnorteada com o que Eduardo falou.
Terminar? Por que ele se apaixonou por uma colega da faculdade e não teria mais sentido ficarmos juntos, se ele não me amava mais. Entrei em desespero! Não sabia como agir, o que falar, ou se era verdade o que ele me dizia. Poderia ser um sonho, não poderia? Um sonho terrível, mas um sonho! Infelizmente não era, era real, e doía de mais saber que a pessoa que eu amava mais que qualquer outra, não me amava também.
“Sempre te amarei, não do mesmo jeito que você me ama, amarei como amigo, como ex-namorado. Não quero que fique triste ou brava comigo, mas não crie esperanças de que podemos voltar.” Essa frase terminou de despedaçar meu coração. Eduardo se ofereceu para voltar comigo para casa, mas recusei, precisava arejar a cabeça, digerir a informação de que não poderíamos mais ter a mesma relação que tínhamos, pois mesmo que continuássemos nos falando, não iria ser a mesma coisa.
Quando cheguei em casa, meus pais estavam preocupados, pois já fazia 3 horas que havíamos saído. No momento em que viram meu rosto encharcado de lágrimas, perguntaram o que havia acontecido. Apenas respondi que não queria falar sobre o assunto, subi e me tranquei no quarto.
Depois daquele dia, nunca mais falei com Eduardo, embora ele tenha ligado, mandado mensagem, recado nas redes sociais, pedido a meus pais para subir e falar comigo. Nada adiantou, estava em depressão, tranquei a faculdade. Mas como tudo um dia passa, seis meses depois estava bem, mas não pronta para outro relacionamento. Voltei para a faculdade.
Terminei o curso e estava trabalhando no hospital, quando  me chamam para uma emergência. Houve um acidente  feio, uma BMW M3  bateu de frente com uma Twister. O homem da moto, ficou gravemente ferido, bateu a cabeça forte quando caiu no chão. O dono da BMW não havia sofrido mais do que alguns arranhões. Quando vejo quem era o homem da moto, fico parada em meu lugar, sem reação por 5 segundos antes de entrar no modo profissional, que não se deixa levar pelos sentimentos.
No momento em que Eduardo viu meu rosto ele sussurrou “ Alice” e desmaiou. Mesmo tentando não me deixar levar pelas emoções, no momento em que ouvi meu nome sair de sua boca entrei em desespero, mas mesmo assim, agi como deveria. Fiz tudo o que poderia para salva-lo. Depois da cirurgia, fiquei no quarto dele, esperando-o acordar.
Quando abriu os olhos e me viu ali parada o olhando, iria falar algo. Coloquei dois dedos em sua boca o impedindo de falar. Não por que não queria ouvi-lo, mas por que ele não poderia se cansar. Ainda havia muito risco de ele morrer e por mais que não estivéssemos mais juntos, ainda o amava e desejava que tivesse a vida que queria, ao lado de quem amava.
Seus batimentos começaram a cair, e a ultima coisa que disse foi “ Eu te amo Alice, sempre amei, só não tinha percebido isso antes”.

29/07/2012

Lobinho



Nasci em uma cidade pequena, com poucos habitantes. Minha casa ficava ao lado da floresta - praticamente em meio à ela - e desde criança gostava de ouvir os sons que vinham dela. Minha mãe contou que eu adorava quando os lobos uivavam em noite de luar.
Tinha quinze anos e passava muito tempo em meio às árvores. Quando chegava da escola, ia fazer meu dever lá. Conhecia cada canto e cada animal da floresta. Em uma caminhada encontrei filhotinhos de lobo tão lindinhos e fofos- isso aumentado por minha fascinação por esses animais- que não resisti, peguei um deles no colo. Achei estranho ele ter um cordãozinho no pescoço que parecia feito a mão e estava gravado " Lian", pois ele era uma animal selvagem mas ele respondeu ao meu toque com o carinho de um cãozinho de estimação e acabei esquecendo. No entanto, a mãe dele não gostou da minha aproximação. A mamãe loba lançou-me um olhar furioso que me fez gelar. Larguei o filhotinho na mesma hora e me afastei. Eles desapareceram na floresta.
Para a minha alegria, a partir daquele dia o lobinho ia todos os dias me encontrar. Passávamos as tardes brincando. Eu lia pra ele, conversava como se ele pudesse me entender - e às vezes parecia entender mesmo. Corríamos pela floresta. Lian tornou-se meu melhor amigo. Ao longo dos anos eu o vi crescer e se tornar um lindo lobo de pêlo avermelhado.
Em mais uma tarde em que esperava ele chegar, ouvi uma voz deslumbrante sussurrar meu nome:
_ Luciana! Luci sou eu.
De trás de uma árvore surgiu um garoto lindo, alto, forte, com os olhos chocolate, os cabelos negros e a pele bronzeada. No começo não o reconheci, mas ao olha-lo de perto, vi em seu rosto a meiguice e ternura do meu amado lobinho. Ele se aproximou:
_ Luci, sou eu, o Lian.
_ Lian? Mas como...?
Não precisei nem terminar a frase. Ele me explicou tudo direitinho. Ele tinha dezessete anos - a minha idade - e morava do outro lado da floresta. Sua família era descendente de lobos, mas eles tinham a forma humana até completarem 17. Depois disso, eles não envelheciam mais e tomavam sua forma de lobo, que ainda era filhote e tinham que crescer como se tivessem acabado de nascer de novo. Foi aí que a mãe deles os levou até a floresta para ensiná-los a caçar, onde nos conhecemos.
_ Me apaixonei por você assim que te vi, mas não podia retomar minha forma humana até me tornar um lobo adulto, então tive que esperar pacientemente. Vinha para cá ficar perto de você. Adorava suas histórias, nossas brincadeiras e, apesar de não parecer, entendia tudo que você dizia.
_ Eu sei. Podia notar que você me ouvia e às vezes, parecia que estava sorrindo para mim.
_ E estava mesmo.
Estava encantada com ele, perdida em seu sorriso. Por impulso, pulei em seu pescoço, entregando-me em um abraço. Lian envolveu seus braços em minha cintura tirando-me do chão. Perdi a respiração, o tempo parou. Foi o momento mais mágico da minha vida! Antes de nos afastarmos ele sussurrou em meu ouvido:
_ Eu te amo Luci.
_ Também te amo Lian.
Agora não nos desgrudávamos um minuto. Íamos a todos os lugares juntos, até na escola. Meu pai não gostava muito de eu estar namorando e a mãe dele também não estava muito à vontade, mas com o tempo, nossas famílias se aproximaram e acabaram aceitando.  O tempo passava e nosso amor só aumentava. Era primavera e faltava um mês para eu fazer 18, quando, em um dia lindo de sol, Lian me pediu em casamento no mesmo lugar em que nos conhecemos. Aceitei sem hesitar.
Nos casamos no verão, em uma cerimônia simples com apenas nossos amigos e família. Construímos uma casa no lugar onde Lian havia crescido e estávamos muito felizes. Mas depois de um ano, comecei a me preocupar com o tempo. Ele não iria envelhecer mais e eu já estava com 19. Uma hora nosso para sempre acabaria. Ele dizia para eu não me preocupar, mas aquilo não saía da minha cabeça.
Ouvindo as lendas de seus antepassados, descobri que se ele tomasse sua forma animal em uma noite de lua cheia e me mordesse, eu seria transformada em um deles. Lian negou-se a fazer isso, mas depois de um pouco de insistência, começou a ceder.
_ Mas Luci, ser lobo não é fácil. Traz problemas e responsabilidades. Eu não posso...
_ Por favor, estou fazendo isso para ficar com você!
Ele aceitou. Iria me transformar na próxima lua cheia, em três dias. Estava nervosa, pensando em como minha vida seria. Ninguém notaria a diferença então não precisaria me afastar de papai e mamãe, mas mesmo assim estava ansiosa. Os dias passaram e a noite chegou.
A lua estava alta no céu, fomos até a floresta no lugar de sempre. Lian perguntou se eu tinha certeza, eu disse que sim e ele se transformou. Naquele momento vi toda nossa história passar como um filme. Ali estava meu lobinho me observando com aqueles olhos profundos e, em poucos minutos, eu estaria para sempre com ele. Lian se aproximou e eu sussurrei em seu ouvido:
_ Para sempre.
Ele assentiu, beijou meu pescoço e o mordeu.

Segredo





Porquê? Tinha que ser justo ele? Se pudéssemos mandar no coração, isso nunca teria acontecido. Ninguém vai aceitar isso, não poderia ter acontecido. É quase um crime, mas não posso negar que gosto muito dele, mesmo sabendo que ele sente o mesmo. Praticamente crescemos juntos, sempre que dava estávamos brincando, provocando um ao outro, e nos ajudando, em qualquer assunto.
Mas desde aquela viagem tudo mudou, no momento em que André se declarou, mas eu sabia que era um sentimento proibido. Por que ele tinha de fazer isso? Não percebia que estava alimentando um sentimento que não tem fundamento, não para a nossa situação pelo menos.
Estávamos caminhando pela beira da praia, quando André para na minha frente e diz que tem que confessar uma coisa, que não tem mais como esconder. Fiquei apavorada, e se ele tivesse feito algo realmente errado? Mas não era isso. “Não dá mais para esconder Cacau, quanto mais eu tento, mais eu me sinto assim. Estou apaixonado, ela é linda, tem os cabelos castanhos avermelhados, lindos olhos cor de chocolate, um sorriso lindo, que eu não resisto quando vejo.”
Não dava para acreditar, o André estava apaixonado, mas eu não sei por que, mas senti como se ele me descrevesse quando falava de sua amada. Pedi então para ele me dizer o nome dela, e se eu conhecia, sua resposta foi: “Por favor Cecilia, ainda não percebeu que me apaixonei por você?” Não sabia mais que fazer ou falar. Isso não poderia ter acontecido. André não poderia ter se apaixonado por mim. Por mais que eu sentisse o mesmo, não tinha coragem de falar, quando uma lágrima escorreu dos meus olhos, ele me olhou assustado, mas não falou nada.
Simplesmente sai correndo de onde estávamos, mas não sabia para onde tinha ido, só fui perceber que parei em frente a casa da nossa melhor amiga, o lado ruim de termos crescidos juntos, temos o mesmo grupo de amigos, contei tudo para Renata, que não sabia o que falar tanto quanto eu. Quando fui para casa em que estávamos hospedados, André estava no sofá, no momento em que me viu passar pelo batente da porta, veio correndo ao meu encontro, mas simplesmente disse que não estava para conversa. Na mesma noite mais tarde, o ouvi conversando com sua irmã, ele disse que não sabia o que faria a respeito, não entendeu a minha reação ao que ele falou.
No dia seguinte, tomei coragem e fui falar a ele que eu também sentia o mesmo, mas que não poderíamos ficar juntos, ele não entendeu de inicio, mas como é teimoso feito mula, disse que poderíamos ficar juntos, porém escondido, eu aceitei. Não deu muito tempo, nossos pais descobriram o que havia acontecido na praia. Meu pai me deu a maior bronca, por quê?
Pelo simples fato de eu e André sermos primos.

Evocar



“Evoke” quer dizer ‘ Criar o novo, especialmente por meio da imaginação, relembrar algo’.
O principal objetivo do nosso blog é fazer o leitor viajar, ou relembrar algo que aconteceu com ele. Expressar nossos sentimentos, que muitas vezes não revelamos para as pessoas, mas que colocamos em um conto.
Sentimentos que muitas vezes são desconhecidos por nós mesmas, e que em um momento totalmente inesperado se revela forte e intenso.